A busca por justiça para Márcia, de 34 anos, ganhou um capítulo definitivo e doloroso. Após lutar por 28 dias contra queimaduras gravíssimas sofridas em um ataque brutal dentro de sua própria residência, a vítima não resistiu às complicações e faleceu no hospital. No entanto, antes de partir, Márcia recuperou a consciência na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e prestou o depoimento que selou o destino de seu agressor.
Mesmo impossibilitada de falar nos primeiros dias de internação, a vítima conseguiu descrever à polícia a dinâmica do crime assim que recobrou os sentidos. Segundo seu relato, o ex-companheiro jogou álcool sobre o corpo dela e ateou fogo.
A Simulação e a Prisão
A crueldade do crime foi seguida por uma tentativa de manipulação. Após o ataque, o homem levou Márcia desacordada ao hospital, onde tentou convencer a equipe médica de que tudo não passava de um acidente doméstico.

Suspeito foi detido pela Guarda Civil enquanto tentava cuidar das próprias feridas causadas durante o ataque/ Foto: Reprodução
A farsa, porém, começou a desmoronar dois dias depois. O suspeito foi localizado e preso por agentes da Guarda Civil Metropolitana em uma unidade de saúde. Ironicamente, ele buscava atendimento médico para tratar queimaduras que sofreu em suas próprias mãos e braços no momento em que incendiava a vítima.
Desdobramentos Jurídicos
Com o falecimento de Márcia, o caso, que inicialmente era tratado como tentativa de homicídio qualificado, foi reclassificado. Agora, com o depoimento crucial da vítima e as provas colhidas pela perícia, o homem responde por feminicídio.
As autoridades reforçam que o depoimento de Márcia foi peça-chave para desmentir a versão de acidente e garantir a manutenção da prisão do suspeito. O caso segue sob investigação para concluir se houve participação de terceiros ou se o crime foi planejado com antecedência.