A Polícia Civil indiciou uma mulher de 49 anos por lesão corporal dolosa seguida de morte no município de Cocalinho. A vítima, Aldonir Ribeiro da Luz, de 48 anos, morreu quase três meses após ter sido agredida com golpes de capacete na cabeça.
Segundo o delegado Carlos Alberto Silva, responsável pela investigação do caso, os laudos periciais atestam que a morte decorreu dos golpes de capacete sofridos pela vítima.
“Os laudos periciais e o acompanhamento do histórico médico dessa vítima foram muito relevantes para que pudéssemos afirmar, com a certeza que apresentamos na conclusão do inquérito, que o óbito da vítima decorreu efetivamente dos golpes de capacete recebidos lá no início do mês de dezembro”, afirmou o delegado em entrevista ao SBT Comunidade.
“A perícia técnica, de modo ainda mais incisivo, deixou claro que não existe nenhuma outra causa que tenha concorrido para a ocorrência do evento morte, ou seja, esse óbito decorreu exclusivamente dos golpes recebidos no início do mês de dezembro”, completou.
Golpes fatais
No dia 6 de dezembro de 2025, às 14h50, Aldonir foi agredido em um bar do bairro Alto Cocalinho.
Durante uma discussão, a mulher arremessou dois capacetes contra a cabeça da vítima. Uma câmera de segurança do estabelecimento registrou toda a dinâmica da agressão.
Após o primeiro golpe, a vítima caiu ao chão, e a mulher a agrediu novamente com outro capacete; em seguida, o homem se levantou.
Após a agressão, o proprietário do estabelecimento apartou a briga e mandou a agressora embora.
Desde as agressões, a vítima passou a apresentar um quadro de piora progressiva, compatível com os traumas na cabeça. Após alguns meses, Aldonir foi encontrado inconsciente pela família e encaminhado ao serviço de saúde do município.
Os exames constataram lesão grave na região atingida pelos golpes, e a vítima foi encaminhada ao Hospital Municipal de Cocalinho, depois ao Hospital Regional de Água Boa e ao Hospital Metropolitano de Várzea Grande, onde morreu em 28 de fevereiro de 2026.
Segundo o delegado, a vítima não procurou a delegacia após a agressão, mas, com o óbito, a família registrou um boletim de ocorrência sobre o caso.
Breve e banal
O delegado explicou que as agressões tiveram um motivo “banal”, após uma breve discussão, depois de a vítima dizer à agressora: “cadê o corno do seu marido?”.
“Ela resmunga com ele e diz para ele não repetir aquilo. Ele repete e ela lança os capacetes”, explicou.
Segundo o delegado, os dois eram conhecidos e se encontraram no bar por acaso.
“Uma discussão totalmente banal, que resultou nesse desfecho trágico, tanto para a família da vítima quanto para a vítima em si”, disse.
Durante o seu depoimento, a suspeita permaneceu em silêncio, mas as provas e as testemunhas ouvidas relatam uma discussão “breve e banal, que de forma alguma justifica uma agressão dessa natureza e, consequentemente, a morte do homem”.
A mulher foi indiciada pelo crime de lesão corporal dolosa seguida de morte, previsto no artigo 129, § 3º, do Código Penal, com pena de 4 a 12 anos de reclusão. O inquérito foi encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público para as providências cabíveis.
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