Filhos on line, pais offline: um olhar incômodo sobre a educação na era digital


Olá, devanetes, como vocês estão? Reflitam: 3, 2, 1…

Convites para pausas, para sentir o que o corpo quer nos dizer, são importantes. E é igualmente essencial ensinar isso às nossas crianças e adolescentes. Percebo, diariamente, no meu labor, a desconexão que todos estamos enfrentando. Essa dissociação é real. Às vezes, recorro à imagem de pessoas cujo corpo está completamente desconectado da cabeça.

Nesse caso, a imagem é clara: estamos cindidos em nossa inteireza. Como meu trabalho fala de conexão e inter-relação, o convite hoje é para pensarmos: o que está acontecendo? O que houve? Onde estamos errando? Por que tanta insatisfação, tanta violência contra o outro e contra si próprio? Basta ver os altos índices de crianças e jovens que se autolesionam ou atentam contra a própria vida. Sim, caros leitores, o assunto é sério — e precisamos falar sobre isso com urgência.

A criança e o adolescente, até os 18 anos, legalmente, não respondem pelos seus atos civis e penais. Mas, será que os pais estão cientes de suas responsabilidades, já que são eles que respondem?

É preciso ter consciência de que o uso das tecnologias por crianças e adolescentes também é nossa função (isso mesmo: SUA, NOSSA). Não é apenas o tempo de tela que precisa ser debatido, mas a responsabilidade de EDUCAR, ACOMPANHAR e IMPOR LIMITES.

Sabe aquelas conversas aparentemente inofensivas em grupos de redes sociais? Prints, figurinhas, memes ofensivos que nossos jovens usam e abusam? Sim, tudo isso precisa ser observado e trabalhado com educação digital, porque as consequências podem ser gravíssimas para todos.

Para quem é vítima de cyberbullying, há dor, trauma, vergonha, comparação e um profundo sentimento de vulnerabilidade. Para quem comete, muitas vezes são também crianças e adolescentes negligenciados em diversos aspectos.

Olhem, vejam bem: falar desse assunto, tão polêmico e ainda tão novo — principalmente para a geração de pais que não nasceu na era digital — pode ser difícil. Eu entendo, porque faço parte desse grupo. Mas é necessário e urgente. Esse tema envolve dimensões muito sensíveis das nossas vivências. O deboche, os prints, os memes, as obscenidades, o compartilhamento de conversas privadas e a exposição da vida íntima envolvem três dimensões que precisam ficar claras: comportamento digital, responsabilidade jurídica e enquadramento legal.

A máxima bíblica — “Não faça ao outro o que não gostaria que fizessem com você” — nunca foi tão necessária de ser lembrada e praticada.

Na próxima, conversamos mais sobre isso…



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