O procurador da República no Acre, Lucas Dias, e o professor e pesquisador Renan Quinalha, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), foram alvo de ato homofóbico, em área pública do Aeroporto de Brasília. Os dois retornavam de Florianópolis, onde participaram de evento na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) sobre a história dos direitos LGBT no Brasil.
Segundo Quinalha, ele e o namorado estavam abraçados no terminal quando um homem, sentado próximo ao casal acompanhado de familiares, passou a gritar determinando que eles se moderassem. “Modere isso aí, modere isso aí. Olha o respeito”, teria dito o homem. Quinalha afirmou que a reação foi imediata. “Maneirar o que? Eu tô abraçando o meu namorado aqui e vou continuar abraçando”, respondeu ao agressor.
O homem alegou que o gesto era falta de respeito por estar com a família. Quinalha rebateu. “Eu também tô com a minha família. Ele é a minha família. E você tem que respeitar.” Em seguida, elevou a voz para chamar a atenção dos presentes e alertou que a conduta configurava crime. “Isso que você tá fazendo é homofobia. Homofobia é crime”, disse. O agressor se retirou do local após o confronto. Pessoas que estavam nas proximidades manifestaram solidariedade ao casal.
Quinalha e Lucas Dias, ambos com formação jurídica, optaram por não acionar a Polícia Federal no momento por estarem com voo próximo. O professor reconheceu que a denúncia formal seria o caminho ideal, mas ponderou que nem sempre há condições para isso. Ele defendeu que, diante de situações semelhantes, a reação pública, a gravação do episódio e o registro formal são medidas fundamentais.
“Acho que é importante denunciar. Acho que quando a gente tiver tempo, energia, disposição, a gente precisa fazer isso”, afirmou.
O relato foi divulgado por Quinalha em vídeo publicado nas redes sociais, onde o professor destacou que compartilhar casos de homofobia contribui para a conscientização e o fortalecimento da comunidade LGBT. “Dois corpos gays, dois homens gays ali, como se fosse algo já inaceitável, pura produção de homofobia”, declarou.