Lei define guarda de pets em caso de separação; veja o que muda

Uma nova legislação publicada no Diário Oficial da União (DOU) passa a regulamentar a guarda de animais de estimação em casos de separação ou divórcio no Brasil. A medida estabelece critérios para definir com quem o pet ficará, além de abrir espaço para guarda compartilhada, divisão de despesas e regulamentação de visitas.

A mudança atende a uma demanda crescente da sociedade, já que os animais de estimação passaram a ocupar papel afetivo dentro das famílias. Com isso, disputas judiciais envolvendo cães, gatos e outros pets se tornaram mais frequentes nos últimos anos, exigindo uma definição mais clara na legislação.

O que muda com a nova lei sobre guarda de pets

Com a nova regra, a guarda de pets em caso de separação deixa de ser tratada apenas como um bem material e passa a considerar o vínculo afetivo entre o animal e seus tutores. Na prática, o juiz poderá analisar diferentes fatores antes de decidir com quem o animal ficará.

Além disso, a lei permite a chamada guarda compartilhada, modelo semelhante ao já adotado em casos envolvendo filhos. Nesse formato, ambos os ex-companheiros podem dividir a responsabilidade pelo cuidado do animal, incluindo despesas com alimentação, saúde e bem-estar.

Outro ponto importante é a possibilidade de regulamentação de visitas. Ou seja, caso o pet fique sob a responsabilidade de apenas uma das partes, a outra poderá ter direito de convivência, desde que isso não prejudique o animal.

Critérios para definição da guarda

A legislação prevê que a decisão sobre a guarda do pet deve levar em conta o bem-estar do animal. Entre os principais critérios que podem ser analisados estão:

  • Quem era o principal responsável pelos cuidados diários
  • Condições de moradia de cada tutor
  • Disponibilidade de tempo para cuidar do animal
  • Vínculo afetivo entre o pet e cada uma das partes

Dessa forma, a decisão deixa de ser apenas patrimonial e passa a considerar aspectos emocionais e práticos, aproximando-se do que já acontece em disputas familiares mais complexas.

Divisão de despesas também entra na regra

Outro ponto que ganha destaque com a nova lei é a possibilidade de divisão de custos. Em casos de guarda compartilhada, os ex-companheiros podem dividir despesas como ração, consultas veterinárias, vacinas e outros cuidados necessários.

Mesmo quando a guarda não for compartilhada, o juiz pode determinar que a outra parte contribua financeiramente, dependendo da situação. Essa previsão busca garantir que o animal mantenha qualidade de vida, independentemente da separação.

Crescimento de disputas motivou a mudança

Nos últimos anos, o aumento do número de famílias com pets contribuiu diretamente para o crescimento de disputas judiciais envolvendo animais de estimação. Em muitos casos, a falta de uma legislação específica gerava decisões divergentes, já que os animais eram tratados como bens.

Com a nova lei, a tendência é que haja mais segurança jurídica, tanto para os tutores quanto para o próprio Judiciário. Além disso, a norma reconhece, ainda que de forma indireta, o papel emocional que os pets desempenham na vida das pessoas.

Impacto da lei na prática

A expectativa é que a nova regra reduza conflitos e traga mais clareza nos processos de separação. Isso porque, a partir de agora, há diretrizes mais objetivas para lidar com situações que antes eram tratadas de forma genérica.

Além disso, a lei pode incentivar acordos entre as partes, evitando disputas prolongadas na Justiça. Em muitos casos, a definição prévia de guarda e responsabilidades pode facilitar o processo de separação.

O que fazer em caso de disputa

Especialistas orientam que, sempre que possível, os tutores busquem um acordo amigável sobre a guarda do animal. No entanto, caso não haja consenso, a recomendação é recorrer à Justiça, onde a decisão será baseada nos critérios estabelecidos pela nova legislação.

Também é importante reunir provas que demonstrem a relação com o animal, como registros veterinários, comprovantes de despesas e testemunhos, que podem ajudar na definição da guarda.

Tendência é ampliar direitos dos animais

A regulamentação da guarda de pets é vista como um avanço na forma como os animais são tratados na legislação brasileira. Embora ainda não sejam considerados sujeitos de direito, há um movimento crescente para reconhecer sua importância dentro das relações familiares.

Com isso, a nova lei representa um passo importante para adaptar a legislação à realidade atual, em que os animais de estimação ocupam um espaço cada vez mais relevante nos lares brasileiros.

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