Em meio ao colapso do transporte coletivo e à decretação de situação de emergência pela Prefeitura de Rio Branco, uma proposta apresentada por uma empresa de Minas Gerais surge como alternativa para assumir, de forma emergencial, a operação do sistema na capital acreana. O documento, encaminhado ao prefeito Alysson Bestene e propõe uma “reestruturação e modernização” completa do serviço.
A proposta é assinada pelo advogado Ivan Alexandre Gonçalves Azevedo, diretor executivo da empresa Multi Empreendimentos, sediada em Santa Rita do Sapucaí (MG). Apesar do plano robusto apresentado no papel, chama atenção o fato de a empresa ter capital social declarado de apenas R$ 10 mil, valor considerado extremamente baixo diante da complexidade e do custo de um sistema de transporte coletivo urbano.
No documento, a empresa se apresenta como especializada em soluções para gestão pública e mobilidade urbana, propondo assumir a operação por meio de uma contratação emergencial, com base na nova Lei de Licitações (Lei nº 14.133/2021), enquanto seria estruturado um processo licitatório definitivo.
Entre as principais propostas está a reformulação completa do modelo operacional, com adoção de um sistema tronco-alimentado ou híbrido, reorganização de linhas e aumento da frequência nos principais corredores. A empresa também prevê a renovação da frota com veículos novos ou seminovos, equipados com ar-condicionado (opcional), GPS, telemetria, videomonitoramento, Wi-Fi e acessibilidade.
No campo tecnológico, o plano inclui a implantação de bilhetagem eletrônica, biometria facial, pagamento digital e um aplicativo para usuários com informações em tempo real sobre localização dos ônibus e previsão de chegada. A proposta ainda prevê a criação de um Centro de Controle Operacional (CCO) e gestão baseada em indicadores de desempenho, como pontualidade e satisfação do usuário.
Outro ponto central é o modelo de remuneração, que prevê pagamento por quilômetro rodado, com possibilidade de subsídio público por passageiro, além de receitas acessórias como publicidade e exploração comercial de espaços.
A empresa também propõe que todo o processo tenha acompanhamento institucional do Ministério Público do Acre, por meio de um acordo formal, com o objetivo de garantir transparência, legalidade e controle na execução do contrato.
O cronograma apresentado, no entanto, indica que a transformação completa do sistema poderia levar até dois anos para ser consolidada, com etapas que vão desde diagnóstico técnico até implantação tecnológica e reestruturação operacional.
O diretor executivo da empresa, Ivan Alexandre Gonçalves Azevedo, também possui histórico na política local de sua cidade de origem. Ele foi candidato a prefeito de Santa Rita do Sapucaí (MG) nas eleições de 2020, quando obteve 171 votos, o equivalente a 0,81% do total apurado, ficando com o pior desempenho entre os candidatos naquele pleito.
A apresentação da proposta ocorre em um momento de forte pressão sobre a prefeitura, após a paralisação total dos ônibus e as denúncias de atrasos salariais envolvendo a atual concessionária, a Ricco Transportes. O decreto de emergência permite, inclusive, a contratação direta de empresas para garantir a continuidade do serviço, o que abre espaço para análise de propostas como a da empresa mineira.