Após uma mobilização estudantil que se estendeu por quase dois anos, estudantes da Universidade Federal de Rondônia (UNIR) começam a ver resultados concretos em uma das principais reivindicações da comunidade acadêmica: a melhoria no transporte público até o campus José Ribeiro Filho, localizado na BR-364, km 9,5, em Porto Velho (RO).

Na manhã desta quarta-feira (22), a Prefeitura de Porto Velho, em parceria com a Secretaria Municipal de Trânsito, Mobilidade e Transportes (Semtran), anunciou a criação de uma nova linha de ônibus voltada ao atendimento dos universitários. A iniciativa foi comunicada pela Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Assistência Estudantil (PRAE), que atuou como intermediadora das demandas apresentadas pelos estudantes ao poder público.

De acordo com a Pró-Reitoria, as solicitações vinham sendo discutidas com a Semtran desde o ano passado, em um processo que envolveu estudos técnicos. Segundo a nota do setor, o objetivo central das discussões foi reduzir as dificuldades enfrentadas diariamente por estudantes que dependem do transporte coletivo para acessar o campus.
Mobilização estudantil impulsiona reivindicação histórica
A nova linha, que será denominada “Universitária IV”, terá como ponto de partida a região da Vila Mariana, nas proximidades da Rua Felipe Camarão. O itinerário seguirá pela Avenida Jatuarana, na zona Sul da cidade, até o complexo universitário José Ribeiro Filho, ampliando também o alcance do atendimento para estudantes da zona Leste.

Para muitos acadêmicos, a medida representa mais do que uma simples alteração de rota: significa a possibilidade de chegar à universidade com mais segurança, regularidade e menor tempo de deslocamento, especialmente nos horários de pico e no período noturno.

Entre eles está o estudante Anderfábio, que relata a rotina exaustiva de deslocamento até o campus. Ele explica que percorre diariamente mais de 25 quilômetros para conseguir chegar à Universidade Federal de Rondônia (UNIR), enfrentando longos tempos de viagem e a dependência de múltiplas conexões de transporte público.
“Estou na UNIR desde 2018. Passei pela pandemia e por greves. As reivindicações sempre acontecem na base de muita luta e discussão. Ver essa solicitação atendida hoje é uma vitória para todos nós universitários, principalmente para quem vive na zona Sul e vinha pedindo essa rota para a nossa região. É uma vitória dos estudantes da UNIR”, comemora o estudante Anderfábio.
O estudante Afonso também se destaca entre os mobilizados pela pauta do transporte universitário. Ele desenvolve um estudo sobre a melhoria da mobilidade até a UNIR e foi um dos responsáveis por impulsionar, nas redes sociais, uma mobilização em defesa da criação de uma rota que atendesse tanto a zona Sul quanto a zona Leste da capital. Segundo ele, o objetivo sempre foi ampliar o acesso e reduzir as dificuldades enfrentadas diariamente pelos estudantes no deslocamento até o campus José Ribeiro Filho.

Afonso ressalta ainda que o debate sobre mobilidade precisa ir além da criação de linhas de ônibus. Para ele, é necessário olhar também para as condições dos locais onde os estudantes aguardam o transporte.
“Hoje é o transporte, mas os pontos onde os estudantes costumam esperar os veículos também precisam ser trabalhados. Há uma questão de insegurança, principalmente no ponto de ônibus na saída principal pela Vila Tupi”, pontua, ao defender melhorias na infraestrutura e na segurança desses espaços.
Embora a data exata para início da operação ainda não tenha sido oficialmente divulgada, a PRAE informou que a Prefeitura confirmou que o anúncio da implementação definitiva da nova rota pelas zonas sul e leste será feito em breve.
Ajustes na linha Campus UNIR entram em vigor em 1º de maio.
No mesmo comunicado, a Semtran esclareceu que ajustes na linha Campus Unir, incluindo mudanças de rota e adequações nos horários noturnos, inicialmente previstos para 22 de abril de 2026, passarão a valer a partir de 1º de maio de 2026, em detrimento de adequações internas de fluxo operacional.

Implementação ainda aguarda data oficial de início. A expectativa da comunidade acadêmica é de que a nova linha represente um avanço concreto na mobilidade estudantil, resultado direto da articulação entre estudantes, universidade e poder público.
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