Uso de drones na agricultura brasileira cresce dez vezes


O setor agrícola brasileiro testemunha uma transformação tecnológica sem precedentes com a ascensão dos drones, cujo uso cresceu mais de dez vezes em um curto intervalo de tempo. De acordo com dados do Ministério da Agricultura, o país saltou de aproximadamente 3 mil equipamentos operacionais em 2021 para uma frota de 35 mil unidades em 2025. Esse avanço consolidou as aeronaves remotamente pilotadas como uma alternativa de alto desempenho, capaz de rivalizar e, em muitos casos, superar a pulverização terrestre tradicional em termos de precisão e sustentabilidade.

A expansão dessa tecnologia é sustentada por ganhos operacionais imediatos, como a drástica redução no consumo de água e a aplicação localizada de insumos, o que diminui o impacto ambiental.

Diferente dos tratores, os drones conseguem atuar em áreas de relevo acidentado e não causam o “amassamento” das culturas — um problema que gera perdas de até 7% na produtividade da soja e 4,8% no cultivo de arroz. Estudos realizados pela Embrapa reforçam a eficácia do método, apontando que os drones alcançam uma penetração de gotas no dossel das plantas até 1,9 vez superior aos métodos convencionais, atingindo inclusive as partes inferiores da vegetação.

Expansão global e suporte regional

O fenômeno brasileiro acompanha uma tendência mundial liderada por gigantes do setor, como a chinesa DJI Agriculture, que encerrou 2024 com 400 mil drones operando em mais de 100 países. No cenário nacional, a distribuição e o suporte técnico têm sido fundamentais para a interiorização da tecnologia.

Empresas como a DronePro, com forte atuação na região Norte e centro de distribuição em Marabá (PA), investem não apenas na venda de equipamentos, mas na formação de operadores qualificados e consultoria técnica para garantir que o produtor extraia o máximo potencial das ferramentas.

Além do aspecto comercial, o ecossistema de drones no Brasil tem se fortalecido por meio de parcerias estratégicas com instituições de ensino e pesquisa. O objetivo é criar uma base sólida de validações práticas que sustentem o crescimento contínuo da ferramenta.

Com a ampliação dos estudos de campo e a modernização das regulamentações, a expectativa é que o drone deixe de ser uma novidade tecnológica para se tornar um item essencial na gestão de precisão das lavouras brasileiras nos próximos anos.



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