Líderes africanos defendem soberania contra terrorismo


A defesa da soberania africana e da integração entre países foi o principal destaque do Fórum Internacional de Dacar, que reuniu líderes de 38 nações para discutir estratégias contra o terrorismo e a instabilidade no continente.

Realizado na capital do Senegal, o encontro reforçou que a soberania africana é considerada essencial para garantir segurança, paz e desenvolvimento sustentável, especialmente diante do avanço de grupos extremistas na região do Sahel.

Durante a abertura, o presidente do Senegal, Bassirou Diomaye Faye, afirmou que a África enfrenta impactos diretos de crises globais, como tensões comerciais, mudanças climáticas e conflitos armados. Segundo ele, o continente precisa assumir o controle de sua própria agenda de segurança.

Não podemos mais aceitar que decisões estratégicas sejam tomadas fora da África, declarou o líder senegalês ao defender maior autonomia política e econômica, incluindo o controle sobre recursos naturais como petróleo, gás e urânio.

A ameaça do terrorismo no Sahel foi um dos pontos centrais do debate. Dados recentes indicam que a região concentra mais da metade das mortes por terrorismo no mundo, com destaque negativo para países como Mali, Burkina Faso e Níger. Nessas áreas, a fragilidade institucional e conflitos internos têm favorecido a atuação de grupos ligados ao Estado Islâmico e à Al-Qaeda.

Diante desse cenário, especialistas e autoridades destacaram que a soberania africana, aliada à cooperação regional, é fundamental para conter o avanço do extremismo. Entre as medidas defendidas estão o reforço no controle de fronteiras, troca de informações e operações conjuntas entre forças de segurança.

Outro ponto abordado foi o papel da juventude. O presidente de Serra Leoa, Julius Maada Bio, destacou que a falta de oportunidades tem facilitado o recrutamento de jovens por organizações criminosas e extremistas. Para ele, investir em educação e inclusão social é uma estratégia direta de segurança.

Grupos extremistas crescem onde há desespero e ausência do Estado, afirmou, ao defender políticas públicas voltadas à juventude como forma de prevenção à violência.

A integração regional também ganhou destaque como solução estrutural. Líderes africanos apontaram que o fortalecimento de blocos econômicos e políticos pode reduzir dependências externas e ampliar a capacidade de resposta a crises.

O presidente da Mauritânia, Mohamed Ould Ghazouani, ressaltou que nenhum país conseguirá enfrentar sozinho desafios globais e regionais. Segundo ele, a integração é mais do que uma escolha — é uma necessidade estratégica para o futuro da África.

O fórum também discutiu temas como soberania digital, exploração de recursos naturais e indústria de defesa, reforçando a ideia de que soluções duradouras devem ser construídas dentro do próprio continente.

Com isso, o encontro em Dacar consolida o entendimento de que a soberania africana, combinada com integração e investimento social, é vista como o principal caminho para enfrentar o terrorismo e garantir estabilidade nos próximos anos.

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