“Ele dizia que era um anjo”: vítimas relatam abusos cometidos por pastor


Vítimas relatam violência física, exploração financeira e abuso sexual dentro de igreja em Paço do Lumiar

Novos relatos de vítimas trouxeram mais detalhes sobre os crimes atribuídos ao pastor Davi Gonçalves da Silva, preso na última sexta-feira (17), durante a operação “Falso Profeta”, em Paço do Lumiar, na Região Metropolitana de São Luís. Ele é investigado por estupro de vulnerável, posse sexual mediante fraude, estelionato e associação criminosa.

Em depoimentos recentes à TV Difusora, ex-fiéis descreveram uma rotina de abusos físicos e psicológicos dentro do espaço ligado à igreja Shekinah House Church, onde, segundo a investigação, viviam entre 100 e 150 pessoas.

Uma das vítimas afirmou ter sofrido violência por cerca de três anos. “O pastor abusava sexualmente da gente, batia com chicote de cavalo, batia com a mão e, às vezes, deixava a gente sem comer”, relatou.

Os depoimentos indicam que o suspeito utilizava a religião como forma de manipulação para justificar os abusos. “Ele dizia que era um anjo, que aquilo não era pecado, que os abusos serviam para nos aproximar de Deus”, contou a vítima.

Segundo os relatos, os crimes aconteciam em diferentes horários, sem qualquer previsibilidade. “Era à noite, de manhã, à tarde, quando ele queria. Levava um de cada vez e, às vezes, dois”, disse.

As vítimas também descreveram como eram escolhidas. De acordo com os depoimentos, o pastor se aproximava gradualmente dos fiéis, ganhava confiança e passava a exercer controle sobre eles. “A gente chamava ele de pai. Ele observava, se aproximava, falava as coisas, até chegar ao ponto dos abusos”, afirmou.

Investigação e prisão

De acordo com o delegado Sidney Oliveira, responsável pelo caso, a investigação teve início há cerca de dois anos, após denúncias feitas por ex-fiéis da igreja.

“É uma igreja que atua na região de Paço do Lumiar há cerca de 19 anos, e nós vínhamos recebendo denúncias há dois anos pelo menos de abusos sexuais praticados pelo pastor. A gente conseguiu identificar ao menos cinco vítimas, além de testemunhas que confirmam os relatos e apresentaram comprovantes de transferências de valores diretamente para o pastor, dando a entender que estava ocorrendo também o crime de estelionato”, afirmou o delegado.

O suspeito é investigado por estupro de vulnerável, posse sexual mediante fraude, estelionato e associação criminosa.

Bens e movimentação financeira

Durante a operação, a polícia apreendeu celulares, carros de luxo e outros materiais. A suspeita é de que os bens tenham sido adquiridos com dinheiro de doações feitas pelos fiéis.

Segundo o delegado, apesar de a igreja possuir CNPJ, não havia conta bancária vinculada à instituição. “Os valores eram recebidos diretamente pelo pastor ou por pessoas ligadas a ele, utilizando contas pessoais. Havia uma confusão patrimonial, onde essas doações eram convertidas em bens tanto para o pastor quanto para a igreja”, explicou.

Novas vítimas podem surgir

Até o momento, cinco vítimas foram identificadas. As investigações continuam para localizar outras possíveis vítimas.

Em um apelo, uma das vítimas incentivou outras pessoas a denunciarem. “Eu peço que a justiça seja feita. Você que foi vítima desse homem, tenha coragem e venha denunciar também, para que ele possa pagar por tudo o que fez”, declarou.



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