
Roraima figura entre os estados com maior concentração de eleitores indígenas no Brasil, refletindo um avanço significativo na participação política dos povos originários. Dados recentes da Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontam que, entre março de 2024 e março de 2026, o número de eleitores autodeclarados indígenas saltou de 102.436 para 253.270 — um aumento de 68%.
O crescimento é atribuído tanto ao maior engajamento das comunidades quanto às ações institucionais que facilitaram o acesso ao cadastro eleitoral e incentivaram a autodeclaração identitária.
Territórios com alta concentração
Entre as regiões com maior número de eleitores, destaca-se a Raposa Serra do Sol, localizada nos municípios de Normandia, Pacaraima e Uiramutã. A área reúne 11.749 eleitores distribuídos em 56 seções eleitorais, consolidando-se como uma das principais referências de participação indígena no país.
Outro destaque nacional é a terra indígena Fulni-ô, em Águas Belas (PE), com mais de 23 mil eleitores.
Perfil do eleitorado
O levantamento mostra que o eleitorado indígena é majoritariamente feminino, com 52% de mulheres (132.241) e 48% de homens (121.029). Além disso, a maioria tem até 34 anos, indicando forte presença de jovens no processo eleitoral.
Avanços na inclusão
Desde 2021, a Justiça Eleitoral tem ampliado ações voltadas à inclusão dos povos indígenas. A Resolução nº 23.659/2021 do TSE passou a permitir a identificação de etnia e língua no cadastro eleitoral, possibilitando um mapeamento mais preciso e políticas mais direcionadas.
Atualmente, o Brasil conta com 1.181 seções eleitorais instaladas em 243 territórios indígenas, o que representa 37% das áreas identificadas pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). Além disso, mais de 44 mil seções eleitorais no país registram ao menos um eleitor indígena.
Cresce participação política
O aumento no número de eleitores também se reflete na representatividade. Entre 2018 e 2024, as candidaturas indígenas cresceram de 133 para 2.656. Já o número de eleitos passou de 202, em 2020, para 261 em 2024.
Apesar do avanço, a presença em eleições gerais ainda é limitada: apenas dois indígenas foram eleitos em 2018 e dez em 2022.
Jovens e mulheres ganham espaço
Especialistas apontam que o crescimento da participação feminina e jovem é um dos fatores que impulsionam a representatividade indígena. A ampliação de políticas públicas e o fortalecimento da identidade cultural também contribuem para esse cenário.
Com a proximidade das próximas eleições, a tendência é de que o protagonismo indígena continue em expansão, consolidando a diversidade étnica no processo democrático brasileiro.