Por RODRIGO ÍNDIO, de Macapá (AP)
Paula Pantoja, de 35 anos, que compartilha com a filha Eloíse, de 6 anos, o diagnóstico de autismo, viu um ciclo de exclusão ser quebrado por um gesto inesperado de sua ídola, a cantora Tatty Taylor. Para Paula, a jornada do diagnóstico de autismo nível 2 de suporte da filha não foi fácil. Entre os desafios do cuidado integral e as inúmeras dificuldades, a maior dor veio do preconceito silencioso. “Eu tinha tentado duas pessoas para serem madrinhas da Eloíse. Não chegaram a falar nada, apenas não demonstraram interesse. O sentimento como mãe é de tristeza, pois eu sentia que existia um preconceito por conta da condição dela”, desabafa Paula.
Fã de Tatty Taylor desde o início da carreira, Paula encontrou nos shows da artista a força para superar a depressão. Após anos de timidez, o primeiro contato pessoal aconteceu em um show, onde Paula abriu o coração. A conexão foi imediata.
Ao convidar a cantora para seu aniversário, Paula não esperava que a artista realmente comparecesse. Mas Tatty não só foi, como ouviu atentamente o desabafo da mãe sobre a ausência de uma madrinha para a pequena Eloíse. Diferentemente das tentativas anteriores de Paula, não houve necessidade de um convite formal. Ao saber que pessoas próximas haviam recusado o papel por não saberem lidar com o autismo da criança, Tatty Taylor interrompeu a fala de Paula com uma promessa: “Então eu serei a madrinha dela”.

Eloíse, de 6 anos, é autista suporte de nível 2
Em entrevista ao Portal SelesNafes.Com, a cantora relembrou o momento com naturalidade e emoção.
“Ela disse que ninguém queria ser a madrinha porque a criança era autista. Na mesma hora eu disse: ‘então eu vou ser’. Eu tenho esse perfil acolhedor, não importa quem seja, eu acolho com carinho. Ela se sentiu abraçada e eu fiz questão de estar presente”, afirma Tatty Taylor.
Embora o batizado oficial ainda aguarde os trâmites religiosos, Paula garante que, no coração, o vínculo já é eterno.
“Minha filha ganhou mais do que uma madrinha. Hoje, sei que não estou mais sozinha nessa caminhada”, diz a mãe, cheia de gratidão.

Tatty com a família: a mãe, que também é autista, convidou duas pessoas que não demonstraram interesse

Eloíse: jornada do diagnóstico foi difícil
A conexão entre a madrinha e a afilhada, embora mediada pelas barreiras de comunicação do autismo, é visível pelo carinho que Eloíse demonstra pela cantora.
Para Paula, o gesto de Tatty Taylor mostra à sociedade que a inclusão não exige manuais complexos, apenas a disposição de amar e estar presente.