Por ANDERSON MELO, de Macapá (AP)
A Defesa Civil do município de Santana confirmou o primeiro caso da praga conhecida como vassoura-de-bruxa, ampliando o alerta que já havia sido emitido no estado desde 2025.
Equipes da Defesa Civil Municipal, em conjunto com a Defesa Civil Estadual, a Secretaria Municipal de Assistência Social e a Secretaria Municipal de Agricultura, estiveram na comunidade do Matão do Piaçacá para verificar a ocorrência na plantação de mandioca, a primeira registrada no município.
A ação integrada tem como objetivo orientar os moradores, prestar apoio imediato e buscar alternativas para conter o avanço da doença, além de acionar os órgãos competentes para garantir assistência às famílias afetadas.
O secretário de Defesa Civil de Santana, Helivanilto Ramos, informou que o próximo passo será comunicar o Ministério da Agricultura e Pecuária.
“Estamos finalizando o levantamento para identificar se outras comunidades também possuem focos da vassoura-de-bruxa. A partir disso, vamos informar os órgãos nacionais sobre a presença da praga no município”, explicou.

Base da alimentação no estado, mandioca pode ter produção comprometida com avanço da praga. Foto: Marco Antônio C. Costa/Arquivo SelesNafes.com
Segundo o gestor, além da comunicação oficial, que pode viabilizar apoio aos produtores afetados, o município também pretende buscar suporte junto à Embrapa para conter a praga na comunidade e evitar que ela se espalhe para outras localidades.
Com a confirmação do caso, Santana passa a adotar medidas sanitárias para conter o avanço da praga na cultura da mandioca. As ações seguem diretrizes de defesa vegetal aplicadas em outros municípios afetados, com foco na prevenção, controle e impedimento da disseminação.
Entre as principais medidas está a proibição do transporte de plantas e partes da mandioca oriundas de áreas com ocorrência confirmada para municípios ainda livres da doença, pelo prazo inicial de 120 dias, podendo ser prorrogado. Também fica restrito o transporte in natura da mandioca, como raízes e tubérculos crus, sendo permitido apenas o deslocamento de produtos já processados, como farinha e tucupi.
A vassoura-de-bruxa atinge diretamente as plantações de mandioca, comprometendo a raiz e impedindo o desenvolvimento do tubérculo. O impacto é significativo, já que a cultura é a base da agricultura no estado, sendo essencial para a produção de farinha, tucupi e outros derivados.
Desde fevereiro deste ano, o Governo do Amapá intensificou as ações de controle e prevenção contra a praga. As medidas fazem parte da estratégia estadual diante da emergência fitossanitária decretada para conter o avanço da contaminação.
Desde 2025, equipes da Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária do Amapá (Diagro) mantêm barreiras fitossanitárias em municípios como Porto Grande e Cutias do Araguari, onde há registros da doença.
O objetivo é impedir a disseminação da praga, que pode destruir lavouras inteiras e inviabilizar o uso do solo para novos plantios de mandioca.

Defesa Civil intensifica ações nas comunidades e orienta produtores para conter novos focos. Foto: Divulgação
A praga
A vassoura-de-bruxa foi identificada pela primeira vez em terras indígenas do município de Oiapoque por técnicos da Embrapa. Posteriormente, o fungo também foi detectado em Calçoene, no Amapá, e na Guiana Francesa, região que faz fronteira com o estado.
Em janeiro de 2025, o Ministério da Agricultura e Pecuária declarou estado de emergência fitossanitária devido ao risco de surto da praga nos estados do Amapá e Pará. Em março do mesmo ano, foi instituído o Programa Nacional de Prevenção e Controle da Vassoura-de-Bruxa-da-Mandioca (PVBM), além da criação do Centro de Operações de Emergência Agropecuária (COE-Mapa).
Desde então, diversas frentes de combate vêm sendo executadas, incluindo pesquisas financiadas com recursos do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, com foco no controle da praga e na proteção da produção agrícola da região.