A Polícia Federal (PF) realiza, na tarde desta quinta-feira (16 de abril), uma reunião com o Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE) em Orlando, na Flórida. O objetivo central é obter esclarecimentos sobre a soltura do ex-deputado federal Alexandre Ramagem, ocorrida na última quarta-feira. Ramagem havia sido detido na segunda-feira por infração de trânsito e permanência irregular no país (visto vencido), mas foi liberado sem que o governo brasileiro fosse formalmente notificado sobre os motivos.
O encontro já estava previsto para a entrega de documentos que reforçam o risco de fuga do ex-deputado, visando subsidiar um eventual processo de deportação.
Ramagem é condenado no Brasil a 16 anos de prisão por envolvimento em tramas golpistas e possui um mandado de prisão em aberto, motivo pelo qual o governo brasileiro já havia solicitado sua extradição e alertado as autoridades americanas ainda no fim do ano passado.
Pedido de asilo e articulação política em Washington
A permanência de Ramagem nos Estados Unidos agora está atrelada a um pedido de asilo sob alegação de perseguição política. Segundo aliados e parlamentares do PL, a liberação do ex-deputado contou com forte articulação política nos bastidores de Washington.
Nomes como o deputado Eduardo Bolsonaro agradeceram publicamente ao presidente Donald Trump e ao secretário de Estado, Marco Rubio, pela soltura do aliado.
Relatos de parlamentares apontam que Darren Beattie, assessor do Departamento de Estado, teria atuado pessoalmente para garantir a saída de Ramagem da prisão. Beattie é uma figura próxima ao círculo de Jair Bolsonaro e já havia sido pivô de um incidente diplomático recente, quando foi impedido pelo STF de visitar o ex-presidente no Brasil para evitar possíveis ingerências externas em período eleitoral.
Enquanto o asilo é analisado, a PF tenta garantir que as obrigações de cooperação policial internacional sejam cumpridas para que o ex-parlamentar responda à justiça brasileira.