Irã libera passagem no estreito de Ormuz durante cessar-fogo com o Líbano


Embarcações militares não terão permissão para atravessar o estreito, acrescentou a autoridade.

Logo após a abertura do estreito, o mercado reagiu e o preço do petróleo caiu para o menor valor em mais de um mês. Nesta manhã, o barril do Brent, referência internacional para o combustível, recou 10,4% e foi negociado a US$ 89,04.

Bloqueio naval dos EUA

Depois do anúncio de liberação do estreito feito pelo governo iraniano, Trump disse, na Truth Social, que o bloqueio naval dos EUA ao Irã “permanecerá em pleno vigor” até que um acordo com Teerã seja fechado.

Segundo Trump, o Irã “removeu, ou está removendo, todas as minas marítimas” da região do estreito de Ormuz após anunciar a reabertura do canal mais cedo e concordou em “nunca mais fechar” o canal de navegação. “Ele não será mais usado como arma contra o mundo”, afirmou o republicano.

Aceno

O anúncio é o primeiro grande aceno do Irã a um acordo pelo fim da guerra. A reabertura do estreito de Ormuz é uma das principais reivindicações dos Estados Unidos nas negociações travadas pelas duas partes.

A passagem, que conecta o golfo Pérsico ao golfo de Omã e ao mar da Arábia, está bloqueada desde o início dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã no dia 28 de fevereiro. Em tempos de paz, um quinto da produção global de petróleo é escoado pela passagem.

O presidente da França, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, promovem, nesta sexta-feira, um encontro de cúpula, em Paris, que tem como objetivo pressionar pela reabertura do estreito de Ormuz.

Anúncio após trégua

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou o acordo de cessar-fogo de 10 dias entre os governos do Líbano e de Israel na quinta-feira (16), aumentando o otimismo de que a guerra paralela entre os Estados Unidos e o Irã pode estar chegando ao fim.

O cessar-fogo pode impulsionar os esforços para estender a trégua entre Irã, Estados Unidos e Israel.

O fim da guerra de Israel contra o Hezbollah era uma exigência central dos negociadores iranianos. Israel não vinha lutando contra o Líbano em si, mas contra o grupo militante Hezbollah — apoiado pelo Irã — dentro do território libanês.

Embora Trump tenha dito que Líbano e Israel trabalharão para chegar a um acordo de longo prazo, o cessar-fogo deixa grandes dúvidas.

Notavelmente, não exige que Israel retire as tropas que ocupam partes do sul, e o Hezbollah, apoiado pelo Irã e que opera independentemente do Estado libanês, afirma manter “o direito de resistir”.

Em comunicado, o Hezbollah afirmou que “qualquer cessar-fogo deve ser abrangente em todo o território libanês e não deve permitir ao inimigo israelense qualquer liberdade de movimento”.

Guerra deixou regiões destruídas

Pessoas deslocadas pela guerra no Líbano começaram a retornar às cidades e bairros devastados nesta sexta-feira, com muitas delas encontrando suas casas destruídas ou inabitáveis e hesitantes em permanecer, com medo de que o cessar-fogo entre o Hezbollah e Israel se desfaça.

Havia poucos sinais de moradores correndo de volta para os subúrbios do sul de Beirute, controlados pelo Hezbollah, uma área bombardeada por Israel durante mais de seis semanas de conflito que se originou na guerra entre EUA e Irã.

Vastos montes de escombros estavam onde antes havia blocos de apartamentos.

Ali Hamza disse que encontrou sua casa intacta, mas as pessoas estavam com medo de voltar por enquanto.

“É impossível viver nessas circunstâncias e com esses odores. Um retorno completo é difícil agora, apesar das dificuldades do deslocamento”. Ele estava recolhendo itens essenciais da casa, incluindo livros escolares: “Perdemos tudo; não queremos que eles percam o ano letivo”.

Em Qasmiyeh, no sul do Líbano, carros passavam por uma travessia improvisada sobre o rio Litani, erguida às pressas depois que o cessar-fogo entrou em vigor à meia-noite, horário local (18h de Brasília). Israel destruiu todas as pontes sobre o Litani durante a guerra, explodindo a de Qasmiyeh na quinta-feira.

“Está havendo destruição e é impossível viver. Inviável. Estamos pegando nossas coisas e partindo novamente”, disse Fadel Badreddine, que estava visitando a cidade de Nabatieh, no sul do país, amplamente destruída, com sua esposa e filho.

“Que Deus nos dê alívio e acabe com tudo isso permanentemente — não temporariamente — para que possamos voltar para nossas casas e meios de subsistência.”

A guerra matou mais de 2.100 pessoas no Líbano e forçou cerca de 1,2 milhão a deixar suas casas, de acordo com as autoridades libanesas.

Israel ordenou que os residentes saíssem de áreas do sul, dos subúrbios do sul de Beirute e de outras áreas durante a guerra. A maior parte dos deslocados são membros da comunidade muçulmana xiita, que também sofreu o impacto de uma guerra em 2024 entre o Hezbollah xiita e Israel.





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