Por SELES NAFES, de Macapá (AP)
A crise no transporte coletivo da capital do Amapá ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira (17), quando o prefeito interino Pedro Dalua (União) anunciou que não renovará o contrato com a empresa Nova Macapá. A medida ocorre após uma sequência de atrasos salariais e paralisações que culminaram em uma greve de rodoviários que já dura três dias. Mesmo com a prefeitura tendo regularizado os repasses referentes a 2026 — incluindo valores semanais da bilhetagem, gratuidade e pagamentos atrasados — a empresa não normalizou a situação dos trabalhadores. Nos bastidores, a operadora alega uma dívida de cerca de R$ 15 milhões da gestão do ex-prefeito Antônio Furlan (PSD).
A prefeitura interina fez novos repasses, incluindo valores relacionados à gratuidade, com a expectativa de que os salários fossem quitados e o serviço retomado. Ainda assim, a empresa não teria cumprido suas obrigações trabalhistas.
Diante do impasse, Dalua afirmou que a prioridade da gestão é evitar prejuízos à população e garantir os direitos dos trabalhadores. Ele anunciou que irá editar um decreto emergencial para viabilizar a entrada de uma nova empresa no sistema, com possibilidade de absorção da mão de obra atual.
“A população não pode ser penalizada por falhas na gestão da empresa. Fizemos todos os repasses necessários, inclusive quitando atrasados, para assegurar que os trabalhadores recebessem e que o serviço fosse restabelecido. Diante dos recorrentes descumprimentos, não há condições para renovação contratual. Vamos adotar medidas emergenciais para garantir um transporte público eficiente e responsável”, destacou.

Ônibus recolhidos há 3 dias na garagem da empresa. Foto: PMM
A decisão foi bem recebida pelo sindicato da categoria, embora a situação ainda seja considerada crítica.
“Agradecemos à Prefeitura de Macapá, na pessoa do prefeito Pedro DaLua, que não tem medido esforços para garantir que os trabalhadores recebam. No entanto, a empresa não está honrando o compromisso com a categoria. Caso os vales não sejam pagos, teremos que paralisar novamente, e essa já não é uma situação causada pela prefeitura”, afirmou o presidente dos rodoviários, Max Delis, que criticou a postura da empresa..
Com o contrato prestes a ser encerrado e a greve suspensa, a Prefeitura agora corre contra o tempo para reorganizar o sistema e evitar novos colapsos no transporte público da capital.