O programa Conexão RH trouxe uma conversa inspiradora sobre engenharia, arquitetura e qualidade de vida, com a participação do engenheiro civil, arquiteto e professor Túlio Sousa. Com mais de quatro décadas de atuação em Rondônia, ele compartilhou experiências, reflexões e um olhar profundo sobre o desenvolvimento urbano e a relação das pessoas com os espaços que habitam.
Durante a entrevista, Túlio destacou sua trajetória profissional, iniciada em Minas Gerais e consolidada em Porto Velho, cidade pela qual afirma ter desenvolvido uma forte conexão. “Eu me apaixonei por Porto Velho e foi aqui que encontrei propósito dentro da minha profissão”, afirmou.
Engenharia e arquitetura caminham juntas
Um dos pontos centrais da conversa foi a relação entre engenharia e arquitetura. Segundo o profissional, as duas áreas são complementares e fundamentais para qualquer projeto.
Ele explicou que a arquitetura inicia o processo criativo, enquanto a engenharia garante a execução técnica, envolvendo estrutura, instalações e viabilidade econômica. Essa integração, segundo ele, é essencial para transformar ideias em obras concretas.
Projetos que contam histórias
Com um vasto portfólio de obras, Túlio evitou destacar apenas um projeto como o mais importante. Para ele, cada trabalho representa uma história única, construída junto ao cliente.
“Cada obra não é só construção, é relacionamento, é história, é conexão com as pessoas”, destacou.
Essa visão humanizada da arquitetura também aparece na forma como ele defende a personalização dos ambientes, valorizando a identidade de cada cliente.
Crítica à padronização e perda de identidade
Um dos momentos mais marcantes da entrevista foi a crítica à padronização dos projetos atuais. Segundo Túlio, muitas casas e ambientes estão perdendo personalidade, tornando-se espaços frios e genéricos.
Ele apontou que condomínios inteiros apresentam construções semelhantes, com cores neutras e pouca expressão cultural, o que acaba afastando a identidade brasileira, rica em cores e diversidade.
“Estamos criando casas com cara de loja, sem história, sem vida, sem identidade”, afirmou.
Arquitetura não é luxo, é necessidade
Outro ponto importante foi a desmistificação de que arquitetura é um serviço exclusivo para pessoas com alto poder aquisitivo. Túlio defendeu que um bom projeto pode ser adaptado a diferentes realidades financeiras.
Para ele, o papel do profissional é orientar o cliente e garantir que o investimento seja bem aplicado, independentemente do orçamento disponível.
Porto Velho precisa ser valorizada
A entrevista também trouxe uma reflexão sobre a valorização da capital rondoniense. Túlio destacou que Porto Velho possui riquezas naturais, culturais e paisagens únicas, mas muitas vezes não é reconhecida pela própria população.
Ele reforçou que a mudança começa com o olhar e a atitude dos moradores. Segundo ele, é preciso desenvolver um sentimento de pertencimento e cuidado com a cidade.
“A cidade somos nós. Precisamos amar Porto Velho para que ela se transforme”, ressaltou.
O papel da população na transformação urbana
Ao falar sobre melhorias, o arquiteto destacou que a responsabilidade não deve ser apenas do poder público. A população também precisa assumir um papel ativo, cuidando dos espaços, valorizando a cultura local e contribuindo para o desenvolvimento urbano.
Ele citou exemplos simples, como plantar árvores, preservar áreas públicas e frequentar espaços naturais da cidade, como parques e balneários.
Um legado de relações e pertencimento
Ao final da entrevista, Túlio deixou uma mensagem que resume sua trajetória: mais do que obras, seu maior legado são as relações construídas ao longo dos anos.
“Meu maior legado são os amigos que fiz e o amor que tenho por Porto Velho”, afirmou.
A conversa reforça a importância de repensar o papel da arquitetura e do urbanismo na vida das pessoas, valorizando não apenas a estética, mas também a identidade, a cultura e o sentimento de pertencimento.



