Ajustes são necessários para que erros de secretários não caiam na conta de Mailza


O cenário político acreano desta semana foi movimentado por articulações para a sucessão estadual, disputas internas em grupos políticos e novas polêmicas envolvendo nomeações no governo. Nos bastidores, os analistas políticos Astério Moreira e Crica, ao lado do apresentador Marcos Venícios, avaliaram alianças das eleições de 2026, enquanto declarações públicas acirraram o clima entre aliados e opositores. Os assuntos foram debatidos no programa Boa Conversa nesta sexta-feira (17).

Outra movimentação foi a aproximação entre MDB e PL para a formação de um bloco político com o objetivo de marcar posição na sucessão estadual. A união é vista como tentativa de fortalecer as siglas e ampliar o poder de negociação nas composições da chapa governista de Mailza Assis (Progressistas).

Foto: Iago Nascimento

“O único jeito de o MDB sair dessa aliança é a Mailza não aceitando a Jéssica de vice. O problema é a questão do grupo que cerca a Mailza, que acha que a Jéssica tira votos dela, mas o Alan Rick está querendo a Jéssica”, afirmou Crica.

“Eu soube que o Bittar não está se cheirando com a equipe de governo, não teve entrevero entre ele e a Mailza. Aí eu soube que a governadora foi a Brasília e tentou marcar uma audiência com o Bittar e ela não conseguiu. Ou seja, os canais diretos estão fechados. O Bittar nunca veio a público desmentir as informações que a gente publicou. Eu soube que isso é uma estratégia do Bittar em valorizar o seu passe, ele está numa posição de que pode ser adulado”, afirmou Marcos Venícios.

“Nesse jogo do bicho, a gente sabe que a Mailza mostrou que o governo não está sendo de continuidade. Aí eu vou te dizer: o Pascoal saiu do governo contrariando um desejo do Gladson, com aval para a campanha do Bocalom. Agora, será que o Donadoni sairia do governo para o Bocalom com aval do Gladson?”, questionou Marcos Venícios.

Foto: Iago Nascimento

A articulação envolvendo o PSD também entrou no radar. A possível aliança fecharia a chapa de Alan Rick ao Senado, consolidando um grupo competitivo para a disputa e ampliando a base de apoio no interior do estado. “Pelo que o Petecão me falou, ele vai liberar os pré-candidatos: quem quiser apoiar Mailza, Bocalom e o Alan”, avaliou Crica.

O comentarista Astério Moreira afirmou que o governador Gladson Cameli continua como pré-candidato ao Senado, apesar da frustração de opositores que apostavam em uma desistência. A avaliação é de que o movimento mantém o tabuleiro indefinido. “Se ele for candidato, é um cenário; se não for, é outro cenário. Ele é a pessoa mais importante dessa eleição. Ele mexe em tudo. Em tese, uma vaga é dele”, avaliou Crica.

Astério também destacou que Jorge Viana pode ser o fiel da balança em um eventual segundo turno, devido à sua capacidade de transferência de votos e influência no eleitorado.

“Na eleição de segundo turno, eles podem orientar para candidato A ou B. A força política da esquerda pode não ser suficiente para ganhar a eleição, mas sim para decidir no segundo turno. Eles vão olhar para o segundo turno em busca do candidato mais de centro, ele chamou até o Márcio Pereira”, avaliou Astério Moreira.

“O Jorge Viana está buscando uma frente ampla popular, ele quer o segundo voto, pode ser do conservador de direita para ele que não tem problema. Ele está buscando o voto de todo mundo”, afirmou Crica.

Pesquisa do instituto Paraná Pesquisas apontou que a ministra Marina Silva lidera a disputa ao Senado em São Paulo em todos os cenários testados. “Ela é uma figura reconhecida internacionalmente. Posso não votar nela, mas tenho que reconhecer a importância da figura dela”, avaliou Crica.

Foto: Iago Nascimento

O ex-secretário adjunto de Governo do Acre, Márcio Pereira, deixou o governo com críticas, afirmando que a governadora Mailza Assis não teria autonomia e que “quem manda é o Jonathan Santiago”. A declaração foi analisada pela bancada.

“O Pereira não tem votos, deixar isso bem claro, mas ele é um bom articulador, tarefeiro. Se der uma missão, ele resolve. Por ele ter participado em todas as campanhas do Gladson, ele sabe com quem conversar. Eu acho que foi uma perda para o governo da Mailza. Eu sei que ele teve um convite do Zequinha para ser chefe na Amac e teve uma conversa com Alysson, JV chamou para conversar. Então, eu acho que ele não devia ter saído atirando”, afirmou Crica.

“Eu acho que ele tem um papel importante, ele se relaciona muito bem. Agora, ninguém é insubstituível. O governo vem passando por ajustes, daqui a pouco todos vão falar a mesma língua. O Aberson consegue fazer uma articulação ampla e ele consegue ciscar para dentro”, avaliou Astério Moreira.

Ainda nos bastidores, Crica avaliou o movimento de Thor Dantas, apontando que o nome surge com o discurso de renovação e tentativa de afastar a esquerda acreana de lideranças tradicionais. “Ele é a cara nova na política, é humanista, não é radical, é um cara de centro e equilibrado. Pode conversar, ele aceita um debate democrático”, afirmou Crica.



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