Voo fantasma: o que é fenômeno que fez jatinho cair na Bolívia


O caso do jatinho que, nesta segunda-feira (13/4) voou por cerca de duas horas em círculos antes de cair na Bolívia, trouxe à tona um fenômeno pouco conhecido fora da aviação: o chamado “voo fantasma”.

A expressão é usada quando uma aeronave segue em operação sem comando consciente por parte dos pilotos. A análise da trajetória do veículo levanta a hipótese de perda de consciência da tripulação ainda durante o voo.

Mesmo sem ação dos pilotos, aeronaves conseguem manter altitude e direção por meio do piloto automático. Em cenários críticos, isso permite que o voo siga por longos períodos sem qualquer resposta da cabine.

A ausência de comunicação é um dos principais sinais de alerta. Segundo a imprensa internacional, no caso da Bolívia, não houve pedido de socorro nem acionamento de emergência.

Hipóxia é a principal suspeita

Especialistas apontam a hipóxia como causa provável do acidente com o jatinho. A condição ocorre quando há redução do oxigênio no organismo, afetando o cérebro.

Segundo informações da Federal Aviation Administration (FAA), a hipóxia compromete funções cognitivas e pode levar à perda de consciência, especialmente em grandes altitudes. O problema pode evoluir sem sinais claros. A pessoa continua respirando normalmente, mas a oxigenação vai caindo até ela “apagar”.

Com menos oxigênio, o cérebro perde a capacidade de resposta. Confusão mental e falhas de julgamento impedem que o piloto identifique o problema e acione protocolos de emergência. Isso explica por que, em voos fantasma, não há comunicação com o controle aéreo.

Fenômeno já registrado

Um dos casos mais conhecidos é o Voo Helios Airways 522, que ocorreu em 14 de agosto de 2005 na Grécia. A aeronave seguiu voando com a tripulação inconsciente após falha de pressurização e caiu após o fim do combustível.

A causa oficial do acidente na Bolívia ainda será determinada. Mesmo assim, especialistas reforçam que o padrão do voo é compatível com episódios em que a tripulação perde a consciência. Casos assim mostram que, apesar da automação, o fator humano segue sendo decisivo para a segurança na aviação.

Por: Metrópoles



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