
O governador Edilson Damião (União Brasil) admitiu nesta quinta-feira (16), em entrevista exclusiva ao Bom Dia 100.3, da Folha FM, se sentir traído por um ex-aliado que foi conversar com o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), logo após almoçar com ele, no último dia 8, em Brasília.
Ao apresentador Natanael Vieira, Damião explicava uma declaração pública de sexta-feira (10) em que chamava de “traidor” quem articula o avanço do processo de cassação dele e da inelegibilidade do ex-governador Antonio Denarium (Republicanos).
Durante a entrevista, o governador se refere a essa pessoa como “ele”, com quem passou o dia e era favorito a ser seu candidato a vice-governador em 2026. Ademais, esse político seria o coordenador de sua campanha.
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“A pessoa para quem eu falei, ela sabe para quem é, tenho certeza que ela sabe e sabe que ela participou, almoçou comigo, teve comigo o dia todo, organizou a campanha comigo, seria um dos coordenadores da minha campanha, pretenso candidato a vice e saiu do meu almoço para falar com o Gilmar Mendes”, declarou.
Para Edilson Damião, há uma “forçação de barra” para que Roraima tenha um “terceiro turno” das eleições de 2022, em referência a um possível pleito suplementar caso ele seja cassado no TSE.
“Nós ganhamos no voto, por diferença de mais de 50 mil votos em 2022. Esses 50 mil votos não foram de cesta básica, de doações, nada disso, foi da vontade do povo. Então, se quer governar Roraima, vai para o voto, vamos pro voto, deixa o povo escolher. Não querer, de qualquer maneira ou qualquer custo, em Brasília, tentar manipular advogados, outras pessoas envolvidas em outros poderes pra tentar desestabilizar o Estado de Roraima”, disse, ressaltando que, atualmente, possui uma base de 22 deputados na Assembleia Legislativa (ALE-RR), sem citar os dois únicos parlamentares que não são seus aliados.
Ainda durante a entrevista, Damião diz acreditar em um desfecho positivo para si no TSE e que os outros quatro ministros que ainda não votaram no julgamento vão reconhecer o entendimento de Nunes Marques em prol da absolvição do governador e da estabilidade em Roraima.
“Sempre acreditei que teríamos um resultado bom pro Estado de Roraima, mas ele veio até de melhor forma – não posso dizer que de forma 100% tranquila porque o julgamento ainda tem quatro votos pra serem declarados. Mas te digo que o ministro Nunes Marques colocou é algo que nos dá mais alívio e tenho certeza que os outros ministros, com muita sensibilidade e dedicação, acho que vão entender que aquele voto é o melhor voto para o Estado de Roraima”, concluiu.