Moradores de Duque Bacelar denunciam contaminação por pulverização de agrotóxicos


Moradores do povoado Santo Antônio, localizado na zona rural de Duque Bacelar, denunciam graves impactos ambientais e sanitários decorrentes de uma pulverização aérea de agrotóxicos ocorrida no último dia 10 de abril. Segundo os relatos, a aplicação do produto químico foi realizada por meio de drones em áreas de lavoura, mas a dispersão teria atingido o perímetro residencial e fontes vitais de subsistência da comunidade.

Os danos mais críticos foram registrados em dois “cacimbões” — poços artesanais que servem como a principal fonte de água para o consumo humano na localidade. A população afirma que, após o contato com o agrotóxico, a água tornou-se imprópria, deixando dezenas de famílias desassistidas.

Além da contaminação hídrica, pequenas plantações de subsistência e residências também teriam sido afetadas pela nuvem de produtos químicos.

Impactos na saúde e vulnerabilidade

A exposição ao veneno desencadeou uma série de problemas de saúde entre os residentes. Foram relatados casos de irritações cutâneas, tosses persistentes e episódios de vômito, com quadros mais severos observados em crianças e idosos.

A situação gera um alerta para a necessidade de atendimento médico imediato e monitoramento toxicológico das vítimas.

Mudança na legislação e omissão pública

A comunidade aponta que o incidente é reflexo direto da recente revogação de uma lei municipal de 2002 que proibia a pulverização aérea no município. Com a queda da norma, as restrições tornaram-se mais frouxas, o que, segundo os moradores, abriu caminho para a prática agora denunciada.

Há também uma forte crítica à falta de suporte da Prefeitura de Duque Bacelar, que até o momento não teria enviado equipes de saúde ou providenciado o abastecimento emergencial de água potável para os afetados.

O caso reforça o debate sobre o uso de tecnologias aéreas, como drones, na aplicação de defensivos agrícolas sem a devida observância das zonas de segurança e das condições climáticas, colocando em risco populações rurais e ecossistemas locais.



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