Rio de Janeiro – O cinema se transformou em uma arquibancada para a pré-estreia do documentário Zico: O Samurai de Quintino, que mergulha na história de um dos maiores jogadores de futebol. Nas 12 salas lotadas no complexo do Downtown, na Barra da Tijuca, a sessão de cinema tornou-se uma experiência sensorial que lembrou, em emoção e intensidade, o estádio do Maracanã.![]()
O longa estreia nos cinemas em 30 de abril.

(Foto: © Anna Luiza Muller/Primeiro Plano)
O som das torcidas foi cuidadosamente trabalhado na mixagem do filme. A cada lance e memória revisitada, o público reagia como se estivesse diante de um clássico.
Após seis anos em produção, o documentário dirigido por João Wainer remonta a trajetória de Arthur Antunes Coimbra, o Zico. Do subúrbio de Quintino às glórias com o Flamengo, passando pela experiência transformadora no Japão, o filme reúne arquivos inéditos, relatos familiares e depoimentos históricos.
Para o diretor, a dimensão do personagem exigia uma abordagem à altura.
“O Zico foi um samurai que encarnou em Quintino”, disse Wainer.
A frase, nascida de uma brincadeira, acabou traduzindo o espírito do filme que conta uma história de disciplina, honra e pertencimento atravessando continentes.
Wainer também destacou a importância da família na narrativa, especialmente da esposa Sandra.
“Ela tem uma importância muito grande na vida do Zico e no filme também. Quando você ouve a Sandra, a Zezé, ou até a Dona Matilde nos arquivos, há um frescor diferente”, afirmou.
A presença feminina é um dos eixos que sustentam o documentário. Ao revisitar álbuns guardados por décadas, a produção constrói um retrato íntimo e afetivo do ídolo para além dos gramados.
Protagonista
Ao comentar a experiência de assistir à própria trajetória na tela, Zico não escondeu o impacto.
“Bateu emoção direto, o tempo todo. Você começa a lembrar de tudo o que aconteceu na sua carreira. Tem lances ali que eu vou ver dez vezes e vou chorar dez vezes”, disse.
A partir da obra, o ex-jogador também refletiu sobre os valores que compõem a sua história, destacando o contraste com o presente.
“A gente vive um momento muito de individualidade, de ‘eu, eu, eu’. E eu sou do ‘nós’. O filme mostra isso: amizade, ajuda, superação.”
Em tom bem-humorado, Zico ainda lembrou sua relação com o Japão, onde atuou como jogador e técnico. “Que o flamenguista não fique chateado, mas o Flamengo foram 20 anos e o Japão foram 22”, brincou, arrancando risos dos presentes.
O documentário também revisita esse período marcante da carreira, quando Zico ajudou a estruturar o futebol japonês. A narrativa percorre esse “segundo tempo” da carreira com a mesma atenção dedicada aos anos de glória no Brasil.
Com imagens raras, registros em Super-8, fitas VHS e objetos históricos, o filme constrói uma linha do tempo que dialoga com diferentes gerações. Participações de nomes como Ronaldo, Júnior e Carlos Alberto Parreira ampliam o olhar sobre o impacto do camisa 10. Mais do que um ídolo, o filme apresenta Zico como símbolo de uma coletividade.
O longa estreia nos cinemas em 30 de abril.