Renaturalização de rios urbanos é estratégia contra enchentes no Brasil


O aumento da frequência de chuvas extremas e enchentes tem levado especialistas a defenderem a renaturalização de rios urbanos como peça-chave para a adaptação das cidades brasileiras. O modelo tradicional de desenvolvimento, que privilegiou a canalização de córregos e a impermeabilização do solo com asfalto, é apontado como um agravante dos desastres naturais. Segundo paisagistas e urbanistas, devolver aos rios seus cursos naturais e vegetação ciliar permite que o território absorva melhor o impacto das águas, reduzindo o risco de inundações catastróficas.

Especialistas da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN) explicam que o solo permeável funciona como uma esponja, desacelerando o escoamento da chuva. Quando a água infiltra na terra, ela fica retida temporariamente antes de seguir seu curso, o que evita o acúmulo repentino nos pontos baixos das cidades. Além dos rios abertos, a estratégia inclui jardins de chuva, telhados verdes e valetas vegetadas, estruturas que compõem um sistema integrado de infraestrutura verde capaz de desempenhar funções ecológicas vitais.

Projetos emblemáticos já começam a sair do papel em grandes metrópoles. Em São Paulo, o futuro Parque Municipal do Bixiga prevê a reabertura de parte do córrego local e a preservação de nascentes, fruto de uma mobilização social de 40 anos. A prefeitura lançou um concurso público nacional para definir o projeto, com resultado previsto para maio. No Rio de Janeiro, um grupo de trabalho estuda a requalificação do Rio Maracanã com soluções baseadas na natureza, em parceria com o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB RJ).

A transição para esse novo paradigma urbano também ajuda a amenizar as ondas de calor, outro efeito severo das mudanças climáticas. De acordo com a Fundação Grupo Boticário, a adaptação exige ações planejadas de acordo com a realidade de cada território, integrando desde pequenas intervenções em calçadas até grandes obras de engenharia natural. O desafio atual das gestões municipais é substituir o cinza do concreto pelo verde da vegetação nativa, devolvendo à paisagem urbana sua capacidade de respirar e drenar de forma equilibrada.

Publicidade

NEWSTV

Publicidade

Publicidade



Publicidade

Publicidade

NEWSTV



VER NA FONTE