BRASÍLIA
Lula demite Gilberto Waller do cargo de presidente do INSS e nomeia Ana Cristina Silveira, ex-adjunta do Ministério da Previdência
Presidente demitido do INSS, Gilberto Waller (Foto: Divulgação)
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu demitir o presidente do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), Gilberto Waller Júnior. Ele havia assumido o órgão no fim de abril de 2025, após a Operação Sem Desconto, voltada à investigação de fraudes nos descontos associativos de beneficiários.
A troca foi anunciada em nota pelo ministro Wolney Queiroz (Previdência) nesta segunda-feira (13). O INSS é formalmente ligado ao Ministério da Previdência, mas Queiroz e Waller Júnior mantiveram uma relação conturbada no tempo em que conviveram em seus respectivos cargos.
Para substituí-lo, o ministro anunciou Ana Cristina Viana Silveira no comando do INSS. Antes, ela era secretária-executiva adjunta do Ministério da Previdência Social. Também já foi presidente do CRPS (Conselho de Recursos da Previdência Social), colegiado que faz a análise administrativa de pedidos de reconsideração relativos aos benefícios.
Segundo a pasta, “ela assume a presidência do órgão com a missão estratégica de acelerar a análise de benefícios e simplificar os processos internos do Instituto”.

Na nota, o ministro também destacou o fato de Silveira ser “uma servidora com visão sistêmica, que compreende o fluxo previdenciário desde o atendimento nas agências até a fase recursal”, o que, na visão da pasta, “marca um novo momento para o Instituto, focado na redução do tempo de espera e qualidade do atendimento aos segurados”.
Nos bastidores, integrantes do ministério e críticos de Waller Júnior dentro do INSS reclamavam do perfil do agora ex-presidente, que é procurador federal de carreira, foi ouvidor-geral da União e atuou como corregedor da PGF (Procuradoria-Geral Federal), ligada à AGU (Advocacia-Geral da União). Seu foco nas investigações, inclusive contra servidores, e a postura centralizadora geravam incômodo entre os que defendiam maior dedicação às ações de redução da fila.
Como mostrou a Folha, a briga entre os comandos do Ministério da Previdência Social e do INSS era considerada um entrave à adoção de melhorias na gestão da fila, que alcançou a marca inédita de 3 milhões no início deste ano. Nos últimos meses, porém, as análises se aceleraram. Minutos depois de a Previdência anunciar a demissão, o INSS divulgou, em nota, que a fila caiu a 2,7 milhões em março, uma redução de 334 mil em apenas um mês.

“Estamos mudando o ritmo do INSS. Esse resultado histórico é fruto de uma atuação firme, com foco em produtividade e no atendimento ao cidadão. A fila está caindo porque estamos trabalhando mais e melhor”, disse Waller Júnior no comunicado, sem fazer comentários sobre a demissão. Nos bastidores, aliados do ex-presidente veem um movimento articulado para derrubá-lo do posto.
Em ano eleitoral, o governo Lula colocou a redução da fila do INSS como uma de suas prioridades. A medida já havia sido promessa da campanha de 2022, mas as idas e vindas do bônus para incentivar análises extras e o aumento no número de pedidos tornaram esse desafio mais complexo.
“Agradeço a Gilberto Waller pela importante contribuição nesse período e dou as boas-vindas à Dra. Ana Cristina. Ela tem o perfil ideal para iniciar esse novo momento e cumprir a determinação do presidente Lula, que é solucionar a fila e não deixar nenhum brasileiro para trás”, disse o ministro Wolney Queiroz, em nota.