Casa-território leva identidade de Roraima à Bienal de Arquitetura em São Paulo


Roraima está presente na 1ª edição da Bienal de Arquitetura Brasileira 2026 (BAB), em São Paulo, com o projeto “Casa-Território: onde o rio, o céu e o lavrado habitam”. A proposta representa o bioma Amazônia e foi selecionada por meio de concurso nacional, que reuniu trabalhos de diferentes regiões do país com leituras contemporâneas da arquitetura brasileira.

Assinado pelos arquitetos Natássia Cruz, Jacquelyne Ramires e Rayresson Rocha, o projeto propõe uma interpretação sensível do modo de viver em Roraima, traduzindo elementos naturais e culturais em soluções arquitetônicas.

“Casa-Território: onde o rio, o céu e o lavrado habitam”, assinado pelos arquitetos Natássia Cruz, Jacquelyne Ramires e Rayresson Rocha. (Foto: Arquivo Pessoal)

Em entrevista à FolhaBV, a arquiteta Natássia Cruz, que atua há 12 anos na área de Arquitetura e Interiores, explica que a casa foi pensada para ir além de uma estrutura física. “O ‘habitar roraimense’ foi entendido a partir da relação com o tempo e com a natureza. Existe uma forma de viver sem pressa, onde o espaço é apreciado e compartilhado com intenção”, afirma

A proposta aposta em uma organização espacial aberta, ventilada e integrada, sem separações rígidas entre interior e exterior. A vegetação deixa de ser apenas decorativa e passa a compor a arquitetura, atravessando os ambientes, criando conexão com o entorno.

Elementos naturais marcantes do estado, como o Lavrado e o Rio Branco, também orientam o projeto e influenciam diretamente a estrutura e o fluxo da casa. “Em Roraima, a paisagem não é pano de fundo, ela é protagonista. Ignorar isso seria projetar de forma genérica, desconectada do território. O Lavrado traz essa sensação de horizonte aberto, enquanto o Rio Branco funciona como um eixo que conduz o percurso dentro da casa”, destaca.

A presença da arte indígena ocupa um papel central na proposta, com foco na valorização cultural e no respeito às origens. Segunda Natássia, elementos do cotidiano local, como a varanda-hall, também foram incorporados como forma de preservar hábitos e incentivar o convívio social.

Processo criativo

O desenvolvimento do projeto foi marcado por um trabalho colaborativo, com trocas constantes e construção coletiva das ideias. De acordo com a arquiteta, houve um esforço de escuta e depuração das propostas até que o resultado alcançasse coerência entre conceito, materialidade e organização espacial.

“Foi um processo muito alinhado, mas não linear. Cada um trouxe repertórios diferentes e o projeto foi sendo construído a partir de ajustes e decisões bem fundamentadas. Não foi sobre impor uma autoria individual, mas construir uma linguagem comum. O resultado é um conjunto que se sustenta não apenas esteticamente, mas também como discurso arquitetônico”, disse.

Visibilidade da arquitetura do Norte

Para os arquitetos, a participação na Bienal representa uma oportunidade de ampliar o olhar sobre a produção arquitetônica da região Norte. “É uma oportunidade de reposicionar o olhar sobre o Norte. Levar esse projeto para a Bienal é ampliar essa visibilidade e mostrar que existe pensamento crítico, qualidade e repertório sendo desenvolvidos fora dos grandes centros”, ressalta a arquiteta.

Natássia também aponta que a falta de visibilidade da região não está ligada à qualidade dos projetos, mas à centralização do mercado e dos meios de divulgação.

“Existe uma produção consistente, com repertório próprio, mas que ainda circula pouco fora da região. Quando essa produção não circula, não é só a arquitetura que deixa de ser vista. Projetos como esse atuam justamente nesse ponto. Eles não apenas apresentam soluções espaciais, mas ampliam repertório, trazem outras narrativas para o centro da discussão e ajudam a posicionar o olhar sobre o que é produzido aqui”, pontua.

(Foto: Arquivo Pessoal)

A Bienal de Arquitetura Brasileira 2026 segue até o dia 30 de abril de 2026, no Parque Ibirapuera, no Pavilhão das Culturas Brasileiras (PACUBRA), com visitação das 12h às 21h. Os ingressos podem ser adquiridos pelo site do evento.

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