A IX Reunião Ministerial da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas) foi encerrada nesta quinta-feira (9), no Rio de Janeiro, com a publicação de uma declaração conjunta focada em segurança e sustentabilidade. Sob a presidência do Brasil, os países da América do Sul e da África reafirmaram o compromisso de manter o oceano como uma região livre de rivalidades entre grandes potências, armas nucleares e conflitos extrarregionais. O documento também incluiu um apoio explícito à retomada das negociações entre Argentina e Reino Unido sobre a soberania das Ilhas Malvinas.
Um dos pontos de maior destaque foi o reconhecimento do tráfico transatlântico de africanos escravizados como o crime mais grave contra a humanidade, citando resolução recente da ONU. No entanto, a Argentina apresentou um adendo ao texto, dissociando-se de referências a documentos específicos da ONU, apesar de reafirmar sua luta contra o racismo. Essa posição alinha o país vizinho às posturas de Estados Unidos e Israel sobre o tema, evidenciando nuances diplomáticas dentro do bloco sul-atlântico.
Na agenda ambiental, a Zopacas celebrou os resultados da COP30 em Belém e a entrada em vigor do Tratado do Alto Mar. O Brasil aproveitou a ocasião para lançar a Convenção para a Proteção do Meio Ambiente Marinho no Atlântico Sul, que já conta com a adesão de Cabo Verde, Guiné Equatorial, República do Congo e São Tomé e Príncipe. O tratado possui 39 artigos que estabelecem diretrizes para o controle de substâncias tóxicas, planos de emergência ambiental e a preservação de ecossistemas frágeis em águas internacionais.
Além dos acordos vinculantes, o grupo adotou uma estrutura de cooperação voluntária para organizar eixos prioritários em governança oceânica, defesa e desenvolvimento sustentável. Os países-membros deverão reportar progressos e desafios em ações compartilhadas, buscando financiamento em organismos internacionais para viabilizar projetos de segurança marítima. A liderança brasileira reforçou que a união entre os dois lados do Atlântico é estratégica para garantir a autonomia da região frente às instabilidades globais.



