Na noite dessa sexta-feira (10), a Justiça do Maranhão determinou que a empresa de ônibus Expresso Rei de França, integrante do Consórcio Via SL, realize o pagamento direto dos salários a 110 rodoviários em atividade. A medida contempla os trabalhadores que ainda aguardavam o recebimento de valores referentes ao mês de janeiro de 2026.
A medida ocorre após graves suspeitas de irregularidades. A investigação aponta que a transportadora estaria sendo gerida por um sócio oculto, utilizando terceiros (“laranjas”) para formalizar a participação societária. Além disso, a Justiça proibiu que receitas do sistema — como tarifas e subsídios estudantis — sejam usadas para quitar dívidas privadas da empresa.
Leia também:
Após o consórcio responsável entregar a lista de credores na tarde de sexta-feira, os valores bloqueados judicialmente foram liberados para depósito imediato. Uma nova audiência está marcada para a próxima terça-feira (14), com a presença do Ministério Público, sindicato e representantes municipais, para discutir a sustentabilidade da operação e o andamento do inquérito policial sobre as movimentações financeiras suspeitas.
Greve
Em entrevista realizada nessa sexta-feira (10), o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Marcelo Brito, anunciou que a categoria pode deflagrar uma greve geral nos próximos dias. O motivo é o descumprimento da convenção coletiva e de decisões judiciais pelas empresas de transporte.
O sindicato já oficializou o pedido de intervenção aos órgãos competentes. As principais queixas incluem:
- Atrasos salariais;
- Ausência de reajustes pactuados;
- Descumprimento de benefícios previstos em acordo.
A categoria estabeleceu o próximo segunda-feira (13) como prazo final para um posicionamento das autoridades. Caso não haja solução, a paralisação do transporte urbano e semiurbano deve começar na terça-feira (14).