Diagnóstico tardio: Acre tem alto índice de sequelas graves de hanseníase

O Acre voltou a se destacar no cenário nacional da hanseníase, mas com um retrato que mistura avanço e preocupação. Em 2024, o estado registrou a maior proporção de casos novos detectados por meio de exame de contatos no Brasil: 36,6%. Por outro lado, também apresentou um dos maiores índices de pacientes já diagnosticados com sequelas graves da doença.

Os dados constam no boletim epidemiológico mais recente do Ministério da Saúde e indicam que, apesar do esforço em rastrear a doença, ainda há dificuldades no diagnóstico precoce.

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Detecção eficiente contrasta com diagnóstico tardio

O Acre tem mantido, ao longo dos anos, um desempenho elevado na identificação de casos a partir do monitoramento de pessoas próximas aos pacientes. Esse indicador chegou a 45,9% em 2022 e permaneceu acima da média nacional nos anos seguintes.

Ao mesmo tempo, cresce a proporção de pacientes que já apresentam grau 2 de incapacidade física no momento do diagnóstico, quando há deformidades visíveis e danos permanentes. Esse índice saltou de 1,6% em 2015 para 18,8% em 2024, colocando o estado entre os piores do país nesse quesito.

Especialistas apontam que esse cenário pode indicar que, embora o sistema consiga rastrear contatos, ainda há pessoas sendo diagnosticadas tardiamente, quando a doença já avançou.

Outro dado relevante é a taxa de cura, que atingiu 84,7% em 2024. Apesar de considerada positiva, o índice está abaixo de anos anteriores, como 2018, quando chegou a 96,9%.

Já o acompanhamento de contatos de pacientes segue como ponto forte: 92% das pessoas expostas foram examinadas, percentual classificado como “bom” pelo Ministério da Saúde.

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