Por ANDERSON MELO, de Macapá (AP)
O Ministério Público do Amapá (MP) está orientando os órgãos responsáveis pela vigilância sanitária e saúde pública a intensificar as ações de fiscalização e conscientização para conter o surto de doença de Chagas registrado na capital. A atuação ocorre no campo institucional, com acompanhamento e articulação, sem execução direta das medidas.
As orientações vêm sendo conduzidas pelos promotores de Justiça Wueber Penafort e Fábia Nilci, da Promotoria de Defesa da Saúde, que realizam reuniões com representantes de órgãos estaduais e municipais para alinhar estratégias e cobrar respostas efetivas.
Segundo os levantamentos da promotoria o surto está concentrado em bairros da zona sul de Macapá, como Zerão, Universidade, Congós e Buritizal. Até o momento, foram registrados três óbitos suspeitos, sendo dois confirmados por doença de Chagas, além de 11 pessoas diagnosticadas com a enfermidade.
Como parte das orientações, o MP-AP recomendou o reforço na fiscalização sanitária, principalmente na cadeia produtiva do açaí, considerada um dos principais meios de contaminação nos casos recentes. Também foram indicadas ações de capacitação para trabalhadores do setor e campanhas educativas voltadas à população.

Promotores reuniram representantes de órgãos estaduais e municipais para alinhar estratégias de resposta ao surto e cobrar medidas imediatas de vigilância. Foto: Divulgação MP-AP
Durante as tratativas, representantes do Pará compartilharam experiências no enfrentamento da doença, incluindo a implementação de plano interinstitucional e a qualificação de batedores de açaí, medidas que apresentaram resultados positivos naquele estado.
No Amapá, os órgãos responsáveis já iniciaram a execução de parte das ações orientadas, com previsão de capacitações para profissionais de saúde e agentes comunitários a partir do dia 14 de abril, além da realização de seminários voltados aos batedores de açaí e intensificação das inspeções sanitárias nas áreas mais afetadas.
O MP também acompanha a elaboração de uma nota técnica com orientações sobre o manejo clínico da doença, que será divulgada aos profissionais de saúde para agilizar o diagnóstico e tratamento dos pacientes.
Segundo o promotor Wueber Penafort, o papel do Ministério Público é garantir que as medidas sejam adotadas de forma eficaz pelos órgãos competentes.
“O MP-AP seguirá acompanhando e cobrando providências até que os riscos sejam reduzidos e a população tenha segurança no consumo de alimentos”, destacou.