A implantação do georreferenciamento na Atenção Primária de Rio Branco não deve mudar apenas os mapas da cidade, mas, principalmente, a rotina de quem está na linha de frente da saúde. Com o Decreto nº 160/2026, apresentado nesta sexta-feira (10), o trabalho dos agentes comunitários passa a seguir critérios mais definidos, com impacto direto no acompanhamento das famílias.
Na prática, o novo sistema cria uma divisão mais detalhada do território, organizando áreas, equipes e microáreas. Cada agente passa a ter um espaço de atuação bem delimitado e metas ajustadas à realidade local, levando em conta fatores como distância, densidade populacional e nível de vulnerabilidade.
Menos improviso, mais planejamento
Uma das principais mudanças está na forma como o número de famílias atendidas será definido. Em vez de um padrão único, o decreto estabelece faixas mínimas, médias e máximas de acompanhamento, o que deve tornar o trabalho mais equilibrado.
Para a agente comunitária de saúde Samara Matias, a medida corrige uma distorção antiga. “A gente ter uma política dessa é importante para gerenciar o nosso trabalho. Diferenciar a zona rural da zona urbana e não focar só na quantidade máxima de usuários”, explicou.
Segundo ela, a realidade amazônica impõe desafios que não eram considerados anteriormente. “Como a gente vive na região amazônica, tem uma grande densidade geográfica. Então fica mais difícil acompanhar 750 indivíduos. A política vem justamente para padronizar isso, com quantidade mínima, média e máxima de usuários”, destacou.
Visitas mais estratégicas
Com o georreferenciamento, as visitas domiciliares também passam a seguir uma lógica mais organizada. Os agentes terão parâmetros de atendimentos diários e poderão priorizar casos mais complexos, evitando deslocamentos desnecessários.
A tecnologia permitirá identificar, por exemplo, quais áreas precisam de maior frequência de visitas e quais demandam acompanhamento mais intensivo, tornando o atendimento mais direcionado.
Para os moradores, a mudança deve ser percebida na regularidade e na qualidade do acompanhamento. A tendência é que áreas antes descobertas passem a ser atendidas e que famílias em situação de maior vulnerabilidade recebam atenção mais constante.
Com isso, a expectativa é reduzir falhas na cobertura e melhorar o vínculo entre equipes de saúde e comunidade, um dos pilares da atenção básica.