Infiltrações, superlotação e falta de médicos: fiscalização aponta irregularidades em unidades de saúde no Acre


Problemas estruturais, déficit de profissionais e condições precárias de trabalho estão entre as irregularidades apontadas em uma denúncia encaminhada ao Conselho Regional de Medicina do Acre (CRM/AC), após fiscalização em unidades de saúde do Alto Acre.

As vistorias foram realizadas entre os dias 26 e 29 de março pelo Sindicato dos Médicos do Acre (Sindmed) e identificaram falhas na Unidade Mista de Assis Brasil e no Hospital Regional do Alto Acre, em Brasiléia.

De acordo com a denúncia, as unidades apresentam infiltrações, buracos e superlotação, além de demora na transferência de pacientes. Também foi apontada a falta de equipamentos, como aparelho de ultrassom, e a disponibilidade de apenas um ventilador mecânico.

Na unidade de Assis Brasil, não há sala adequada para observação, o que faz com que pacientes sejam acomodados na recepção, junto a outras pessoas que aguardam atendimento, aumentando o risco de infecção cruzada.

O relatório também aponta que profissionais enfrentam plantões de até 48 horas, sem estrutura adequada de descanso. O espaço destinado ao repouso conta com três beliches e não possui banheiro exclusivo.

Além disso, a unidade funciona sem profissionais considerados essenciais, como fisioterapeuta, obstetra e pediatra.

Infiltrações, superlotação e falta de médicos: fiscalização aponta irregularidades em unidades de saúde no Acre
Foto: Arquivo/Sindmed

Situação em Brasiléia

No Hospital Regional do Alto Acre, foram identificadas infiltrações em enfermarias e salas semi-intensivas, com goteiras que chegaram a atingir leitos.

A denúncia também aponta déficit de enxoval hospitalar, com pacientes levando lençóis e cobertores. Em relação ao quadro de profissionais, há apenas um ortopedista atendendo dois dias por semana, enquanto pediatras e ginecologistas atuam, em grande parte do tempo, em regime de sobreaviso.

Para a primeira secretária do Sindmed/AC, Kátia Campos, o cenário evidencia problemas estruturais e falta de investimentos. “Muitos vendem a terceirização ou a entrega de unidades de saúde à gestão não estatal como uma saída para a resolução dos problemas, mas o problema é estrutural, porque faltam especialistas na região e as condições de trabalho demonstram a necessidade de investimentos”, afirmou.

“Sem dinheiro e sem fixação de médicos, não teremos melhora do atendimento”, completou.



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