O cenário das investigações sobre a chamada “Farra do INSS” ganhou novos contornos nesta sexta-feira, 10 de abril, com as declarações de Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Preso desde setembro do ano passado, o lobista sinalizou a interlocutores que está disposto a formalizar uma delação premiada caso o empresário Maurício Camisotti — que já assinou acordo com a Polícia Federal — não revele a totalidade do esquema ou tente poupar figuras do meio político.
A preocupação central de Antunes é ser apontado como o único operador da estrutura responsável por descontos indevidos em benefícios previdenciários, enquanto líderes partidários seriam preservados.
Entre os nomes mencionados pelo lobista como possíveis alvos de sua eventual colaboração estão parlamentares do PL, PDT e Republicanos, partidos que teriam tido integrantes envolvidos nas irregularidades investigadas pela Polícia Federal.
Weverton e Lulinha no radar da delação
A ameaça do “Careca do INSS” atinge diretamente o senador Weverton (PDT), que exerce a função de vice-líder do governo no Congresso. O parlamentar já havia sido alvo de buscas e apreensões no final do ano passado durante a Operação Sem Desconto.
Além do senador, o lobista cogita entregar informações sobre o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
No caso do filho do presidente da República, a suspeita levantada refere-se ao suposto recebimento de pagamentos para intermediar a aprovação de um projeto relacionado ao uso de canabidiol junto ao governo federal. Embora Antunes ventile esses nomes, a concretização de uma delação depende da aceitação das autoridades policiais e do Ministério Público, que avaliam a utilidade e as provas apresentadas pelo colaborador.
O esquema da farra do INSS
Maurício Camisotti e Antonio Carlos Antunes são apontados pela Polícia Federal como as peças-chave de um sistema que drenou recursos de aposentados e pensionistas por meio de associações que realizavam descontos sem autorização.
A movimentação de Camisotti em direção a um acordo de colaboração aumentou a pressão sobre os demais envolvidos, gerando um efeito dominó de tentativas de proteção mútua ou de entrega de novos nomes para reduzir penas.
A defesa dos citados ainda não se manifestou oficialmente sobre as declarações do lobista. Até o momento, as investigações seguem em sigilo, e o conteúdo da delação já assinada por Camisotti permanece sob custódia da Justiça Federal e da Polícia Federal, aguardando homologação para que as informações possam ser convertidas em novas diligências.