Beneficiário do Bolsa Família vira dono de consórcio do transporte público de SL


O caso envolve o Consórcio VL São Luís, que reúne empresas do setor de transporte público

Autoridades do Maranhão investigam uma denúncia de possível fraude na venda de empresas de transporte coletivo em São Luís. O caso envolve um ex-preso que recebe Bolsa Família e que aparece como comprador de um grupo empresarial com dívida milionária.

A informação foi revelada pelo colunista Carlos Madeiro, do UOL, com base em apuração jornalística e documentos judiciais.

O caso envolve o Consórcio VL São Luís, que reúne empresas do setor de transporte público. O grupo entrou com pedido de recuperação judicial em novembro de 2025, com uma dívida de pelo menos R$ 177 milhões.

Mesmo com o alto endividamento, o consórcio foi transferido, no início de 2026, para homem de 26 anos. Segundo a investigação, ele teria pago cerca de R$ 3 milhões pelas cotas das empresas.

Além do consórcio, outras empresas do grupo também passaram a constar no nome do beneficiário.

Suspeita de fraude

A negociação é questionada na Justiça. Uma das credoras do grupo entrou com ação civil pública apontando possível fraude societária. Segundo o processo, há suspeita de que o comprador tenha sido utilizado como “laranja” para ocultar o verdadeiro controle das empresas.

A venda das cotas foi feita pela filha de um empresário do setor de transporte, apontado como possível controlador do grupo. Durante a análise do caso, o juiz Douglas Martins, da Vara de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís, classificou os fatos como graves.

De acordo com o magistrado, há indícios de “fraude societária, blindagem patrimonial e confusão na gestão”. O juiz determinou o bloqueio de até R$ 50 milhões em contas ligadas aos envolvidos. Também foi dado prazo de 15 dias para manifestação das partes.

O comprador

O suposto comprador é morador da periferia de Fortaleza, no Ceará. Ele aparece como beneficiário do Bolsa Família, com recebimento mensal de cerca de R$ 600. Segundo registros citados na investigação, os valores pagos pela aquisição das empresas seriam incompatíveis com a renda declarada.

O jovem também possui passagens pela polícia. Em depoimento recente, ele relatou envolvimento com uso de drogas. A suspeita é de que ele tenha sido colocado como sócio formal para assumir responsabilidades jurídicas e financeiras do grupo.

Crise

O grupo empresarial já enfrentava dificuldades antes da negociação.

De acordo com o Ministério Público, em novembro de 2025, trabalhadores paralisaram as atividades por atraso de salários e outros direitos. A defesa das empresas atribui a crise à falta de reajuste adequado da tarifa do transporte público entre 2022 e 2025.

O consórcio afirma estar em situação financeira grave, com bloqueios de contas, dívidas com fornecedores e dificuldades operacionais. Segundo a empresa, a recuperação judicial é necessária para manter o funcionamento do serviço de transporte e preservar empregos.

O caso segue em investigação e pode ter desdobramentos nas esferas civil e criminal.



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