Por LEONARDO MELO, de Macapá (AP)
Na manhã desta quarta-feira (8), o Ministério Público do Estado do Amapá deflagrou a operação “Contágio”, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa envolvida com tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A ação foi coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pelo Núcleo de Investigações (Nimp), com apoio da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado, além de equipes da Polícia Militar, Polícia Civil e do sistema penitenciário estadual.
Ao todo, foram cumpridos 10 mandados de busca e apreensão e nove mandados de prisão preventiva em diferentes pontos da capital Macapá. As diligências ocorreram em residências localizadas nos bairros Buritizal, Infraero I, Marabaixo IV e Nova Esperança, além de unidades institucionais como o Instituto de Administração Penitenciária do Amapá e a Associação de Proteção e Assistência aos Condenados.
Segundo as investigações, a organização criminosa possuía uma estrutura hierárquica definida e operava de forma interestadual, com forte atuação no Amapá. O grupo era liderado por detentos do sistema penitenciário, que, mesmo privados de liberdade, comandavam as atividades ilícitas com o auxílio de familiares — especialmente companheiras — que atuavam fora das unidades prisionais.

Investigações apontam que detentos lideravam o esquema com apoio de familiares. Fotos: Divulgação/MP-AP
Um dos principais líderes identificados é um ex-servidor terceirizado do Iapen, que atuava na área da saúde. Ele foi exonerado após ser alvo de operações anteriores que revelaram seu envolvimento em práticas criminosas. Posteriormente, acabou preso e passou a integrar o núcleo de comando da organização.
Outro líder apontado pelas autoridades é um detento condenado por um triplo homicídio ocorrido em 2010, quando tinha 19 anos. O crime vitimou uma mulher de 34 anos e seus dois filhos, de 17 e 11 anos, e gerou grande comoção no estado à época.
As investigações revelaram ainda que os líderes montaram um esquema estruturado de corrupção e comercialização de produtos ilícitos dentro do sistema prisional, incluindo o uso de contas bancárias de terceiros para ocultar a origem dos recursos.

A ação foi coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), força do Ministério Público especializada em investigações contra organizações criminosas
Entre 2021 e 2025, a organização movimentou cerca de R$ 52 milhões, valor considerado elevado e indicativo do alto grau de organização do grupo.
Recentemente, um dos líderes passou a cumprir pena na unidade da APAC em Macapá, modelo prisional voltado à ressocialização. Ainda assim, segundo os investigadores, ele continuava exercendo influência nas atividades criminosas.