Acre tem dois empregadores mantidos na “lista suja” do trabalho escravo após nova atualização; veja nomes


Dois empregadores do Acre permanecem incluídos na chamada “lista suja” do trabalho escravo, atualizada pelo governo federal nesta segunda-feira, 6. O cadastro reúne pessoas físicas e jurídicas flagradas submetendo trabalhadores a condições análogas à escravidão, após conclusão de processos administrativos sem possibilidade de recurso.

No estado, os nomes que seguem na lista são de Hudson Primo Coelho, com registro de ocorrência em 2022, e João Paulo Nunes da Silva, relacionado a caso de 2023. Os dois aparecem no cadastro nacional mantido pelo Ministério do Trabalho, que é atualizado periodicamente.

De acordo com os dados, os casos no Acre envolveram três trabalhadores no primeiro registro e seis trabalhadores no segundo, totalizando nove pessoas resgatadas em situações consideradas análogas à escravidão.

A GAZETA não conseguiu contato com os citados para comentar a inclusão na “lista suja”. O espaço, no entanto, segue aberto.

Atualização nacional

A nova atualização incluiu 169 empregadores, um aumento de 6,28% em relação à lista anterior. Desse total, 102 são pessoas físicas e 67 empresas. Com isso, o cadastro passa a reunir cerca de 613 empregadores em todo o país.

Entre os nomes incluídos nacionalmente estão o cantor Amado Batista e a montadora chinesa de carros elétricos BYD.

As atividades com maior número de ocorrências foram:

  • Serviços domésticos (23 casos)
  • Criação de bovinos para corte (18)
  • Cultivo de café (12)
  • Construção de edifícios (10)
  • Preparação de terreno, cultivo e colheita (6)

Ao todo, os novos registros resultaram no resgate de 2.247 trabalhadores em condições de exploração.

Ainda segundo o governo federal, 225 empregadores foram retirados da lista após cumprirem o período de dois anos previsto no cadastro.

Estados com mais registros

Os casos incluídos nesta atualização ocorreram entre 2020 e 2025, em 22 unidades da federação. O Acre aparece com dois empregadores, enquanto os estados com maior número são:

  1. Minas Gerais (35)
  2. São Paulo (20)
  3. Bahia (17)
  4. Paraíba (17)
  5. Pernambuco (13)

O que é a “lista suja”

A “lista suja” é um documento público divulgado semestralmente, em abril e outubro, com o objetivo de dar transparência às ações de fiscalização no combate ao trabalho escravo no país.

A inclusão ocorre somente após fiscalização de auditores do trabalho, lavratura de auto de infração e conclusão do processo administrativo, garantindo direito à defesa aos empregadores. Apenas após decisão final, sem possibilidade de recurso, o nome é inserido no cadastro.

Como denunciar

Denúncias de trabalho análogo à escravidão podem ser feitas de forma remota por meio do Sistema Ipê, canal oficial criado pelo governo federal em parceria com a Organização Internacional do Trabalho.

O denunciante não precisa se identificar e pode relatar as informações para que a fiscalização avalie o caso e, se necessário, realize inspeções no local.



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