O mercado financeiro revisou para cima, pela quarta semana consecutiva, a projeção do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para este ano, elevando a estimativa de 4,31% para 4,36%. Os dados constam no Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central (BC) nesta segunda-feira, 6 de abril. A pressão inflacionária é impulsionada, em grande parte, pelas incertezas e tensões globais geradas pelo conflito no Oriente Médio, embora o índice ainda se mantenha dentro do limite de tolerância da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), cujo teto é de 4,5%.
Para controlar a escalada dos preços, o Comitê de Política Monetária (Copom) mantém a taxa Selic em 14,75% ao ano. Na última reunião, o BC optou por uma redução conservadora de 0,25 ponto percentual, frustrando expectativas anteriores de um corte maior devido ao agravamento da crise internacional entre Estados Unidos e Irã. O Banco Central sinalizou que pode rever o ciclo de queda dos juros caso a inflação mostre sinais de descontrole. A próxima definição da taxa básica de juros ocorrerá nos dias 28 e 29 de abril.
Em relação à atividade econômica, os analistas mantiveram a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 1,85% para 2026. O resultado segue um desempenho mais robusto em 2025, quando a economia brasileira avançou 2,3%, impulsionada principalmente pelo setor agropecuário. Para os anos seguintes, entre 2028 e 2029, a expectativa é de que o crescimento se estabilize em 2%, refletindo um cenário de expansão moderada em meio ao aperto monetário necessário para frear o consumo.
No câmbio, o mercado projeta que o dólar encerre este ano cotado a R$ 5,40, mantendo uma trajetória de relativa estabilidade para 2027, com estimativa de R$ 5,45. Os investidores aguardam agora a divulgação oficial da inflação de março pelo IBGE, prevista para a próxima quinta-feira, 9 de abril, que deve detalhar os primeiros impactos reais da guerra sobre os preços domésticos, especialmente nos combustíveis e na logística de transporte.



