Testes de DNA revelam falhas graves em tratamentos de fertilidade no exterior

📸 Foto Destaque: Keith Bridle/BBC

O que deveria ser o início de um sonho familiar tornou-se uma busca por respostas que já dura mais de uma década. Uma investigação detalhada revelou que diversas famílias britânicas, que buscaram tratamentos de Fertilização In Vitro (FIV) no norte de Chipre, foram vítimas de erros graves: o uso de doadores de esperma e óvulos diferentes daqueles que foram escolhidos e pagos pelos pais.

O caso mais emblemático é o de Beth e Laura, um casal que planejou ter dois filhos utilizando o mesmo doador dinamarquês, identificado apenas como “Finn”, para garantir que as crianças fossem irmãs biológicas. Após anos de suspeitas devido às características físicas do segundo filho, James, um teste de DNA confirmou o temor: as crianças não têm relação com o doador selecionado e, mais grave, não possuem vínculo biológico entre si.

O sonho que virou dúvida: Testes de DNA revelam falhas graves em tratamentos de fertilidade no exterior

Testes de DNA confirmaram que irmãos concebidos via FIV não possuem o mesmo pai biológico./ Foto: BBC

O Atrativo do “Norte de Chipre

O território, reconhecido apenas pela Turquia e fora da jurisdição das leis da União Europeia, tornou-se um destino popular para britânicos e a comunidade LGBTQIA+. As clínicas da região oferecem preços baixos, anonimato e procedimentos que seriam ilegais no Reino Unido, como a seleção de sexo por razões não médicas. No entanto, a falta de um órgão regulador independente torna o setor vulnerável.

Especialistas em genética forense, como a professora Denise Syndercombe Court, analisaram os testes das famílias e confirmaram que as chances de relação com os doadores escolhidos são praticamente nulas. No Reino Unido, especialistas afirmam que misturar material genético é o “maior medo” de qualquer unidade de FIV e que erros repetidos podem sugerir negligência ou fraude.

O sonho que virou dúvida: Testes de DNA revelam falhas graves em tratamentos de fertilidade no exterior

Falta de regulação em territórios internacionais aumenta riscos de erros em procedimentos de reprodução assistida./ Foto: BBC

Divergências Médicas

A médica responsável pelos procedimentos na época, Firdevs Uguz Tip, negou à BBC ser responsável pela encomenda do esperma e questionou a validade dos testes de DNA comerciais. Ela afirmou que os tratamentos seguiam as normas locais, mas outras duas famílias que passaram por sua nova clínica (Centro de FIV Miracle) também relataram suspeitas de terem recebido óvulos de doadoras diferentes das selecionadas em catálogo.

O Impacto na Identidade

Para as crianças envolvidas, a descoberta traz um desafio de identidade. James, agora com 10 anos, expressou a dificuldade de aceitar que as informações sobre sua origem eram falsas. “Identidade é o mais importante. É quem você é como pessoa”, afirmou o menino à investigação.

LEIA TAMBÉM: 

Apesar da quebra de confiança e da incerteza sobre o histórico de saúde dos doadores reais, as famílias reforçam que o vínculo afetivo permanece inalterado. “Ainda somos uma família, mesmo que não de sangue”, declarou Kate, a irmã mais velha. O caso serve de alerta para os riscos do “turismo reprodutivo” em regiões com baixa fiscalização estatal.

VER NA FONTE