Os preços internacionais do petróleo registraram uma inversão de tendência e passaram a operar em alta nesta segunda-feira (6 de abril). A mudança no humor do mercado financeiro ocorreu após a confirmação de que os Estados Unidos e o Irã recusaram os termos de uma proposta de cessar-fogo mediada pelo Paquistão, frustrando as expectativas de uma resolução diplomática imediata para o conflito no Oriente Médio.
Por volta das 12h20 (horário de Brasília), o barril do tipo WTI operava em alta de 0,54%, cotado a US$ 112,14, enquanto o Brent, referência para o mercado global, subia 0,42%, atingindo US$ 109,49. O movimento contrasta com o início da manhã, quando as commodities operavam em queda diante da expectativa de um acordo.
O impasse diplomático e o ultimato de Trump
A proposta desenhada pelo marechal Asim Munir, do Paquistão, previa um plano de duas etapas: um cessar-fogo imediato seguido pela reabertura do Estreito de Ormuz em um prazo de 15 a 20 dias. No entanto, o Ministério das Relações Exteriores do Irã classificou as condições norte-americanas como “ilógicas e ambiciosas”, afirmando que não aceitará negociar sob ameaças.
O clima de hostilidade foi alimentado por novas declarações do presidente Donald Trump. Em sua rede social, Truth Social, o republicano adotou um tom agressivo ao exigir a reabertura do estreito, ameaçando ordenar ataques diretos contra a infraestrutura civil e usinas de energia do Irã. Teerã respondeu afirmando que as declarações de Trump sobre atingir alvos civis configuram potenciais crimes de guerra.
Baixa no comando iraniano e operações militares
A tensão militar ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira com a confirmação da morte de Majid Khademi, chefe de inteligência da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC). Em comunicado, a organização atribuiu a morte do general a uma ofensiva conjunta entre Israel e Estados Unidos. Khademi ocupava o posto desde meados de 2025, após seu antecessor também ter sido morto em combate.
Perspectivas para o mercado de energia
O Irã sinalizou que, embora rejeite o cessar-fogo nos moldes atuais, estaria disposto a criar um protocolo para a passagem de embarcações pelo Estreito de Ormuz, desde que as sanções econômicas contra o país sejam retiradas.
Para os investidores, o cenário permanece de incerteza. A manutenção do bloqueio no estreito, por onde passa cerca de 20% do consumo global de petróleo, mantém a pressão sobre os preços dos combustíveis e a inflação mundial, deixando o mercado em estado de alerta máximo para qualquer novo desdobramento militar na região.