O governador do Acre, Gladson Cameli, anunciou nesta quinta-feira (02) que deixará o cargo para disputar uma vaga no Senado Federal. A decisão marca o encerramento de um ciclo político iniciado em 2019, período em que foi eleito e posteriormente reeleito para o governo estadual.
Sobrinho do ex-governador o já falecido Orleir Cameli, o atual chefe do Executivo acreano construiu sua trajetória política com forte presença pública e estratégia de comunicação direta com o eleitorado. Sua gestão, no entanto, também foi marcada por operações da Polícia Federal, o que trouxe repercussão nacional ao longo do mandato.

O anúncio foi feito a partir do Palácio Rio Branco, sede do governo estadual, onde Cameli se dirigiu à população ao oficializar sua saída. A decisão ocorre em meio a um processo de reorganização política no estado e abre espaço para novas definições no cenário eleitoral acreano, no qual o agora ex-governador deve disputar uma vaga contra seu adversário político, o também ex-governador Jorge Viana, do Partido dos Trabalhadores (PT).

Ao se despedir do cargo, Cameli afirmou que governar o Acre representou a realização de um sonho pessoal. “Foram sete anos, três meses e um dia, exatamente 2.649 dias, como governador do Acre. O sonho de um menino lá de Cruzeiro do Sul que se tornou realidade por meio da confiança de todos vocês. Foram anos intensos, desafiadores, mas, acima de tudo, de muito trabalho”, declarou.
A saída do governador gera diferentes avaliações entre analistas e lideranças políticas, refletindo a diversidade de interpretações sobre sua gestão e seus próximos passos na vida pública.
No governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Acre passou a registrar indicadores econômicos mais favoráveis, com destaque para o avanço no ambiente de negócios. O estado alcançou a 6ª colocação em potencial para investimentos, consolidando-se como uma alternativa atrativa na Região Norte, ao lado de Rondônia.
Nesse contexto, o Acre vem apresentando um cenário de crescimento, impulsionado por políticas econômicas adotadas no atual governo federal. A expansão registrada pelo país é de 5,7%, índice superior à média global, estimada em cerca de 2%. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, comandado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin. Além disso, o estado acompanha o desempenho positivo das exportações brasileiras, que ultrapassaram a marca de R$ 348 bilhões, refletindo um ambiente mais dinâmico para o comércio exterior e ampliando as perspectivas para novos investimentos locais.
No campo da infraestrutura, embora se trate de uma rodovia federal, Gladson Cameli encerra o mandato sem um acordo efetivo com o governo federal para a recuperação de um dos trechos mais críticos e alvo de críticas na BR-364, justamente o que liga Cruzeiro do Sul, município onde nasceu. A região segue sob tensão devido às condições da pista, considerada, em diversos pontos, praticamente intrafegável.
Nesta semana, esse trecho foi incluído no conjunto de obras do Novo PAC, programa do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A iniciativa contempla intervenções que não foram priorizadas nas gestões anteriores de Michel Temer e Jair Bolsonaro.
O projeto de asfaltamento foi anunciado pelo ministro dos Transportes, Renan Filho, a pedido do ex-governador Jorge Viana, que recentemente deixou a presidência da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) para disputar uma vaga ao Senado pelo Acre.
Na ocasião, foram assinadas três ordens de serviço, além do anúncio da publicação de editais para novas obras nas rodovias federais BR-364, BR-317 e BR-307, no estado. Juntas, essas ordens somam mais de R$ 151,9 milhões e autorizam o início imediato de intervenções em trechos estratégicos da malha viária. “O governo decidiu reconstruir a BR-364 com uma engenharia superior, para garantir mais qualidade ao pavimento no Acre”, destacou o ministro dos Transportes, Renan Filho.
Segundo ele, os investimentos foram ampliados a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O ministro afirmou ainda que a infraestrutura encontrada apresentava sérias deficiências. “A infraestrutura estava completamente destruída, não tinha base, não havia contratos condizentes com a necessidade das obras, porque os recursos eram insuficientes. E o que era enviado precisava, antes de tudo, recompor a defasagem acumulada ao longo dos anos”, declarou, em informações divulgadas pela Assessoria Especial de Comunicação do Ministério dos Transportes.




