Polícia Penal aprova greve e sistema penitenciário de segurança máxima entra em alerta


O sistema penitenciário federal brasileiro enfrenta um cenário de instabilidade iminente após os policiais penais federais decidirem, por unanimidade, entrar em estado de greve. A mobilização, ratificada em assembleia nesta semana, prevê uma paralisação estratégica com início marcado para a próxima segunda-feira, dia 6 de abril. O movimento deve impactar diretamente as unidades de segurança máxima distribuídas pelo país, onde estão custodiados os líderes das organizações criminosas mais perigosas do Brasil.

A principal motivação para a medida drástica é a insatisfação da categoria em relação à condução do Governo Federal sobre a criação do Fundo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (Funcoc). Segundo os representantes da classe, o fundo é um instrumento vital para viabilizar investimentos estruturais, reforçar a segurança das unidades e garantir a valorização profissional.

A crise se agravou após as entidades de classe da Polícia Penal Federal e da Polícia Rodoviária Federal denunciarem que foram inicialmente excluídas das discussões sobre o projeto, o que gerou um sentimento de desvalorização em comparação a outras forças de segurança.

Gentil Silva, presidente da Federação Nacional dos Policiais Penais Federais (FENAPPF), criticou abertamente a postura do governo, pontuando que a falta de interlocução demonstra um tratamento desigual para com os agentes que atuam na linha de frente contra o crime organizado.

Para a federação, a participação efetiva na formulação de políticas públicas de segurança é inegociável, dada a complexidade das atribuições exercidas pela Polícia Penal Federal no isolamento de lideranças criminosas.

Durante o período de paralisação, os policiais planejam suspender totalmente as atividades consideradas não essenciais. Já os serviços fundamentais sofrerão uma redução de até 50%.

De acordo com o planejamento divulgado, o sistema operará apenas com atendimentos básicos, o que inclui o fornecimento de alimentação, o banho de sol dos internos, visitas em regime limitado e assistência médica exclusivamente para casos de urgência.

O impasse ganhou contornos mais rígidos após uma reunião realizada nesta semana no Ministério da Justiça. O encontro, que contou com a presença de lideranças da categoria, terminou sem uma proposta concreta ou acordo entre as partes.

Até o momento, o Governo Federal não apresentou soluções para atender às demandas de investimento e inclusão nas pautas estratégicas, mantendo o sistema em estado de alerta máximo para os desdobramentos da próxima semana.



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