Exposição dá visibilidade ao autismo em mulheres


A arte como ferramenta de expressão, acolhimento e identidade ganha destaque na exposição “Onde Me Encontro: Arte e Neurodivergência”, idealizada pela artista Silvia Feliciano. A mostra será realizada no dia 6 de abril, no Sesc Centro Cultural, reunindo obras que nascem de experiências reais ligadas ao autismo, especialmente entre mulheres.

A iniciativa propõe um olhar sensível sobre um tema ainda pouco visibilizado: o diagnóstico tardio em adultos, com destaque para o público feminino. Mais do que uma exposição, o projeto se apresenta como um espaço de escuta, pertencimento e reconhecimento.

Arte como caminho de autoconhecimento

Os trabalhos expostos foram produzidos em oficinas gratuitas voltadas a adultos autistas — diagnosticados tardiamente ou em processo de investigação. A proposta surgiu a partir da vivência pessoal de Silvia Feliciano, que, além de conviver com o autismo em seu núcleo familiar, também se reconhece dentro do espectro.

Muitas mulheres passam a vida inteira se adaptando para serem aceitas, o que faz com que o autismo passe despercebido”, destaca a artista.

Com mais de 30 anos de atuação e formação pela Universidade Federal de Minas Gerais, Silvia desenvolve pesquisas que conectam arte, corpo e expressão sensível, atualmente em Porto Velho.

Exposição dá visibilidade ao autismo em mulheres

Metodologia baseada no corpo e na expressão

A metodologia das oficinas parte do desenho do contorno corporal em escala real. A partir dessa base, os participantes criam colagens, desenhos e intervenções visuais, transformando emoções e vivências em linguagem artística.

Embora não tenha caráter terapêutico ou diagnóstico, a proposta se consolida como uma ferramenta potente de autoconhecimento. Cada obra carrega uma narrativa única, revelando sentimentos muitas vezes invisibilizados no cotidiano.

Exposição dá visibilidade ao autismo em mulheres

Neurodiversidade e representatividade

A exposição amplia o debate sobre neurodiversidade e convida o público a enxergar o autismo para além dos estereótipos. O recorte voltado às mulheres adultas evidencia uma realidade marcada por subdiagnóstico, isolamento e desafios emocionais.

Para a produtora executiva Taiane Sales, o projeto cumpre um papel social importante.

Onde Me Encontro é, acima de tudo, um gesto de escuta e visibilidade. Um espaço para que essas vivências ganhem forma e sejam compreendidas com mais sensibilidade”, afirma.

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