Principal ponto turístico de Roraima fica isolado, sem estrada, energia, internet e água encanada


Desvio desmoronou e obra de reconstrução da ponte do Tucumã na RR-230 já dura dez meses (Imagem: Reprodução)

Às vésperas de um feriado importante para o turismo, os moradores da Serra do Tepequém, principal ponto turístico de Roraima, vivem mais um pesadelo devido à precária infraestrutura básica oferecida pelas autoridades àquela região localizada ao Norte do Estado, no Município do Amajari, terra de coronéis da política e das grandes fazendas de gado e do maior produtor de peixe em cativeiro do País.

Desde a manhã de segunda-feira, Tepequém e outras vilas da região (Bom, Jesus, Trairão e Ametista) estão isoladas devido ao rompimento do aterro do desvio construído emergencialmente em uma das pontes de madeira que está sendo reconstruída na RR-203, a principal estrada que corta o município de ponta a ponta. A obra de reconstrução da ponte iniciou em maio de 2025, quando a base em concreto começou a ser erguida, mas até hoje a estrutura de madeira não foi concluída.

Para piorar o que já era caótico, com os moradores, produtores e empreendedores isolados, a ventania durante a chuva da madrugada derrubou três postes na região, interrompendo o fornecimento de energia elétrica, o que provoca efeito em cascata com falta de internet e água encanada. O conserto da linha de transmissão depende do restabelecimento do tráfego da rodovia.  

Trata-se de uma tragédia anunciada, pois o problema não se resume àquela ponte sobre o Igarapé Tucumã, a cerca de 20Km da Vila Brasil, sede do Amajari. Boa parte das dez pontes de madeira estão em condições críticas, com estrutura comprometida e as madeiras já deterioradas pela ação das intempéries e do peso dos caminhões que por lá transitam, inclusive máquinas pesadas e caçambas que trabalham nas obras que estão sendo realizadas na região.

A ponte do Tucumã chegou ao nível insustentável, provocando acidentes com motociclistas, prestes a desabar a qualquer peso dos veículos. Precisou que o então governador Antonio Denarium fosse ao local para tirar selfie e autorizar a reforma. E isso depois de anos de cobrança, denúncias e protestos por parte dos moradores, principalmente de Tepequém, que vive exclusivamente de turistas que precisam de pontes confiáveis e de estrada em boas condições, duas infraestruturas básicas negadas principalmente pelo Governo do Estado.

Não há qualquer justificativa para o atual governador, Edilson Damião, alegar que desconhecia o fato, pois além de ter sido o vice-governador na administração de Denaruim, ele também acumulava o cargo de secretário de Infraestrutura, que é a pasta responsável pelas estradas e pontes, além das obras de construção do complexo turísticos que estão com o prazo de entrega vencido há dois anos.

Vereadores do Amajari e outras autoridades, cobrados severamente por meio de críticas dos moradores e empreendedores, estão no local para tentar cobrar e garantir agilidade, com a solução imediata para o restabelecimento do tráfego naquele trecho da RR-203. No entanto, o problema fatalmente irá se repetir em situações piores ou mesmo (que Deus nos livre!) com uma tragédia, caso outras pontes de madeira desabem.

A ponte sobre o Igarapé do Paiva, na entrada da Vila Tepequém, está com sua estrutura comprometida, inclusive com registro de acidentes com moradores. Com o inverno rigoroso que está por vir, há um iminente risco de as enxurradas arrastarem a estrutura daquela ponte de madeira, o que pode isolar completamente o principal ponto turístico de Roraima e provocar prejuízos imensuráveis a todos os moradores, especialmente dos que vivem do turismo.

É muito provável que muitos turistas desistam de ir a Tepequém nesse feriado, cancelando reservas e excursões, onde os empreendedores projetavam um grande movimento devido ao festejo programado para o Sábado de Aleluia. Tudo por causa da omissão das autoridades, que se fizeram de surdos aos seguidos clamores em relação às precárias condições das pontes de madeira e da buraqueira no asfalto da RR-203, alguns deles tapados vergonhosamente com barro.

E a pergunta que fica é: Quem vai pagar por todo esses transtornos e prejuízos financeiros?

*Colunista

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