Procurador-Geral de Justiça rebate crise no Gaeco e nega perseguição política no Maranhão


Ocupando um dos cargos mais espinhosos da República maranhense, o Procurador-Geral de Justiça (PGJ), Danilo Castro, sentou-se à mesa do Programa Palpite da Rádio Online de O Imparcial para enfrentar uma pauta carregada de pólvora. 

Discreto e de fala serena, o chefe do Ministério Público do Maranhão (MPMA) abandonou a reserva habitual para responder sobre a debandada de promotores do Gaeco e o recente pedido de afastamento do vice-governador Felipe Camarão. Para Castro, o que muitos chamam de “perseguição política” é, na verdade, o cumprimento do dever — ainda que o custo seja a impopularidade entre os poderosos.

O “Motim” no Gaeco e o Escândalo de Turilândia

A crise que paralisou o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) em janeiro foi o primeiro grande teste de Castro. Dez promotores renunciaram após a cúpula do MP pedir a soltura do prefeito de Turilândia, Paulo Curió, preso por desvios de R$ 56 milhões.

(Foto: Divulgação/O Imparcial)

A Defesa do PGJ: Castro, que estava de férias durante o auge da crise, foi enfático: “O Gaeco não é um órgão independente, é um braço do Procurador-Geral”. Ele defendeu o parecer do subprocurador Orfileno Bezerra, alegando que a investigação já havia colhido as provas necessárias e que a prisão preventiva não era mais indispensável desde que medidas cautelares fossem impostas.

Olhar Ácido: Castro classificou a renúncia em massa como uma “perplexa aventura infantil” de promotores que buscam retornar à administração superior do órgão. A realidade deu razão ao PGJ: os investigados que descumpriram as cautelares voltaram à prisão pouco tempo depois.

O Alvo da Vez: Felipe Camarão e o “Uso Político”

O tema mais quente da semana, o pedido de afastamento do vice-governador e Secretário de Educação, Felipe Camarão, também foi abordado. Camarão acusou publicamente o MP de monitoramento ilegal e uso político da máquina às vésperas da eleição de 2026.

Firmeza Institucional: Sem citar o nome de Camarão diretamente em tom de embate, Castro pontuou que “as pessoas não querem ser incomodadas”. Ele negou qualquer viés partidário e desafiou qualquer autoridade a auditar sua vida: “Dou meu telefone, quebro meu sigilo bancário, fiscal e telefônico. Não faço nada errado”.

A Espada de Dâmocles: O PGJ demonstrou preocupação com o “surto” de judicialização no Maranhão e a “espada de Dâmocles” (ameaça constante) sobre as instituições locais, referindo-se à tendência de o STF avocar processos maranhenses.



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