BCE diz que riscos geopolíticos estão subestimados e faz alerta

Os mercados financeiros estão subestimando os riscos geopolíticos, elevando o potencial de vendas repentinas, disse a supervisora do Banco Central Europeu, Claudia Buch, nesta quarta-feira (18), ao alertar contra a flexibilização das regulamentações bancárias.

Os Estados Unidos têm flexibilizado as regras bancárias no último ano, pressionando os órgãos reguladores de outros países já que seus credores podem enfrentar um campo de jogo desigual se não seguirem o exemplo.

“Essas proteções precisam ser mantidas à medida que as tensões geopolíticas aumentam”, disse Buch no relatório anual de supervisão do BCE. “A fragmentação ou qualquer enfraquecimento dos padrões poderia prejudicar a capacidade dos bancos de resistir a acontecimentos adversos.”

As ações de bancos foram vendidas desde o início da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, mas os movimentos do mercado foram ordenados, assim como no ano passado, quando as tarifas e as guerras aumentaram a incerteza.

Os credores estão devidamente capitalizados e têm todos os amortecedores necessários, mas os riscos continuam altos, disse Buch.

“Essa incerteza não está refletida adequadamente nos indicadores de estresse financeiro baseados no mercado, o que poderia levar a uma reavaliação abrupta do risco”, disse ela.

Ela argumentou que os choques podem se materializar de forma inesperada e se espalhar rapidamente, dadas as tensões geopolíticas, as avaliações exageradas em alguns segmentos do mercado, as crescentes interconexões com empresas financeiras não bancárias e o risco de mudanças repentinas no sentimento do mercado.

O BCE fez do fortalecimento da resiliência dos credores aos riscos geopolíticos uma prioridade fundamental para este ano e fará um teste de estresse nos maiores bancos nos próximos meses.

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