Publicado em: 12 de março de 2026

Sistema apresentado à agência cruza dados de pedágios, OCR e cadastros regulatórios para detectar viagens irregulares e tornar a fiscalização mais precisa
ALEXANDRE PELEGI
A tecnologia e a análise de dados começam a ganhar espaço no combate ao transporte clandestino de passageiros em São Paulo. Representantes da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) participaram nesta quarta-feira, 11 de março de 2026, de uma apresentação técnica sobre o Sistema de Identificação de Transporte Irregular e Clandestino (SITIC).
A ferramenta, desenvolvida pela SV Tech, propõe o uso de inteligência de dados para reforçar a fiscalização nas rodovias paulistas. O sistema utiliza informações de praças de pedágio, leitura automática de placas (OCR) e cruzamento com dados regulatórios para identificar inconsistências entre viagens declaradas oficialmente e veículos que efetivamente circulam nas estradas.
A iniciativa surge em um contexto de crescimento da oferta de viagens clandestinas divulgadas em sites e redes sociais, muitas vezes com tarifas muito inferiores às praticadas pelas empresas autorizadas.
Esse tipo de operação irregular, além de fugir das exigências regulatórias, também deixa de oferecer garantias básicas aos passageiros, como padrões mínimos de segurança, fiscalização e responsabilidade na prestação do serviço.
Segundo o superintendente de Transportes Coletivos da Artesp, Felipe Freitas, o uso de novas ferramentas tecnológicas pode ajudar a enfrentar esse cenário.
“Hoje o transporte clandestino representa um desafio importante. Iniciativas como essa contribuem para fortalecer a regulação, reduzir a informalidade e garantir mais segurança para quem utiliza o sistema”, afirmou.
Fiscalização baseada em dados
Um dos principais objetivos do sistema é ampliar a capacidade de fiscalização sem depender exclusivamente de operações presenciais nas rodovias.
A partir da análise de grandes volumes de dados, a ferramenta pode identificar padrões de irregularidade, indicando rotas, horários e pontos com maior probabilidade de ocorrência de transporte clandestino.
Com isso, as equipes de fiscalização podem direcionar as ações para locais e situações de maior risco, aumentando a eficiência do trabalho e ampliando a capacidade de combate à informalidade no transporte rodoviário de passageiros.
A expectativa é que soluções baseadas em inteligência de dados contribuam para tornar a fiscalização mais moderna, eficiente e alinhada com a realidade atual do mercado de transporte.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes