38% das PMEs brasileiras usam IA de forma “artesanal”

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Querer nem sempre é sinônimo de poder, ouvimos muitas vezes ao longo da vida. Pois essa máxima vale também para o contexto das pequenas e médias empresas brasileiras ouvidas numa pesquisa recém-lançada pela G4 Educação.

É o seguinte: enquanto 59% dos empresários ouvidos no levantamento Raio-X do Empreendedor consideram inteligência artificial e automação como a tendência mais crucial para o sucesso de seus negócios em 2026, apenas 22% afirmam utilizar a tecnologia de forma estruturada.

O dado que mais chama atenção, porém, não é o dos 22% que já avançaram. É o dos 38% que assumem operar de forma artesanal, com processos excessivamente dependentes de planilhas e de pessoas específicas — sem automação, sem escala, sem IA, como faziam os sumérios.

Ok, essa última parte aí foi exagero meu para dramatizar mais a conversa. Mas sigamos.

Outros 53% acreditam que a tecnologia é transformadora, mas ainda não sabem por onde começar. Os pesquisadores do G4 batizaram esse fenômeno de Abismo da Execução Tecnológica.

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A pesquisa ouviu 816 empresários — cerca de 70% deles sócios ou fundadores de seus negócios — de todas as regiões do Brasil. A maioria atua em empresas com faturamento entre R$ 1 milhão e R$ 50 milhões ao ano, com predomínio do setor de serviços, que representou quase 70% da amostra.

 O mercado sabe o porquê. O problema é o como

A ascensão da IA nas prioridades dos empreendedores foi significativa, em relação ao levantamento do ano passado. A categoria cresceu cerca de seis pontos percentuais, superando “eficiência operacional”, que liderava as prioridades em 2025.

A virada é simbólica: pela primeira vez, uma tecnologia específica, e não um objetivo de gestão, ocupa o topo da lista.

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“O mercado sabe que precisa de inteligência artificial no dia a dia da operação, mas ainda não sabe como fazer”, avalia Misa Antonini, CEO do G4. Para ela, o investimento em capacitação contínua e em novas ferramentas de gestão é o caminho para reduzir esse gap.

O contraste entre intenção e execução acontece num momento em que outros indicadores do empreendedorismo brasileiro mostram sinais de aquecimento. Segundo a mesma pesquisa, 57,8% das empresas registraram crescimento de receita no último ano, alta de 2,4 pontos percentuais em relação à edição anterior.

O pessimismo com o cenário macroeconômico também recuou 11 pontos percentuais: de 61% para 50% dos empresários que previam deterioração da economia. E, num dado que virou marca registrada do empreendedor brasileiro, 70% dos que se dizem pessimistas com o país se mantêm otimistas com o próprio negócio.

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