Produtor que sofreu com granizo no plantio da soja agora encontra diesel R$ 2 mais caro

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Soja. Foto: Embrapa

O produtor Eduardo Martins, de Alvorada do Sul, no Paraná, sofreu com chuva de granizo no início da semeadura de soja e, agora, relata escassez e aumento de preço do diesel em alguns postos e distribuidoras da região.

Segundo ele, que também é presidente do sindicato rural do município, o combustível foi encontrado entre R$ 1,50 e R$ 2,00 mais caro do que o habitual nos postos da cidade.

“Nas distribuidoras que a gente está acostumado a comprar diesel está faltando, tanto na particular quanto em outra através de uma cooperativa. Tivemos que ir atrás de uma outra distribuidora que a gente não era cliente ainda e conseguimos fazer a compra do diesel mediante pagamento antecipado. Agora eles já entregaram o diesel para a gente, mas nos postos do município ainda está faltando”, conta.

De acordo com Martins, a escassez do insumo em um momento crítico da colheita tem grande impacto nas finanças do produtor do município, que já está tendo que conviver com margens apertadas.

O relato do agricultor ganha eco nas manifestações de entidades do agro, como a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Sistema Faep), que divulgou nota nesta terça-feira (10) alertando sobre a possível interrupção de atividades mecanizadas no estado, além de impactos na logística do setor e elevação do custo do frete rodoviário.

O motivo da preocupação envolve a situação no Estreito de Hormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás natural comercializados no mundo. A instabilidade na região, gerada pelos ataques coordenados de Israel e Estados Unidos ao Irã, já começou a provocar turbulências no mercado internacional.

Falta nas transportadoras

O presidente da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Domingos Velho Lopes, destaca que desde terça-feira passada (3), há registros de redução de oferta de diesel, com falta de disponibilidade das transportadoras para carregar o combustível aos produtores.

“Após quinta-feira (5) até ontem (9), não tínhamos nem carregamento nos TRRs, que são os transportadores retalistas, para as propriedades rurais. E como nós estamos em plena colheita do arroz, perto de 900 mil hectares em andamento, vários produtores começaram a me chamar e avisar nesse sentido, que nós estávamos com problema de suprimento”, comenta.

Segundo ele, os agricultores relatam que contam apenas com o diesel estocado na propriedade, o suficiente para, no máximo, quatro dias.

A mesma situação é registrada em outras regiões do Paraná, como Ubiratã, Piraí do Sul, Lapa, Prudentópolis e Nova Esperança. Além da falta de combustível, há queixas sobre o aumento no preço do litro.

Resposta da ANP

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) nega irregularidades na importação do combustível e, tampouco, na distribuição interna. Sobre os preços, a autarquia lembra que o mercado é livre no Brasil desde 2002, ou seja, não há tabelamento. “O valor nas bombas depende exclusivamente das refinarias distribuidoras e da cotação internacional”, destaca.

Segundo a ANP, o consumidor que se sentir lesado deve procurar o Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procom) e, se perceber a formação de cartéis, a responsabilidade é do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

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