O grupo EMS anunciou a compra da marca Medley, que pertencia à francesa Sanofi, conforme comunicado divulgado nesta sexta-feira (6). A aquisição, que ainda precisa de aprovação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), representa um movimento significativo no setor farmacêutico brasileiro.
Marcus Sanchez, vice-presidente da EMS, destacou o valor estratégico da operação: “É um orgulho enorme para nós, uma empresa nacional, ter conseguido fazer esse movimento hoje, ter um acordo de aquisição de 100% da Medley”.
Segundo ele, a transação envolveu um processo competitivo com outros interessados, o que elevou o valor do negócio acima das expectativas do mercado.
“No Brasil, quem escolhe o produto ao entrar na farmácia é o consumidor. A marca Medley é super referência e tem uma oportunidade bastante grande de crescimento”, explicou Sanchez.
Estrutura operacional e sinergias
De acordo com Sanchez, a estrutura financeira da operação será através de caixa proprietário, sem necessidade de alavancagem. “Nós temos uma saúde financeira bastante equacionada, então nós conseguiremos concretizar o pagamento total dentro dos prazos estabelecidos com caixa próprio”, afirmou.
Quanto à operação pós-aquisição, a EMS planeja manter toda a estrutura atual da Medley, incluindo a gestão, os quase 900 colaboradores e a planta industrial de Campinas. “Não só continuará existindo, como muito provavelmente receberá novos investimentos“, revelou Sanchez sobre a fábrica.
O executivo explicaram que as equipes comerciais trabalharão de forma separada para preservar as características de cada marca, mas haverá sinergias operacionais nos bastidores.
“É importante manter a cultura da empresa adquirida, dado que a gente vê muito valor nos diferenciais que a marca Medley apresenta”, destacou.
Nova potência no mercado de genéricos
Com a aquisição, o grupo passará a deter aproximadamente 32% do mercado de genéricos no Brasil. Atualmente, a EMS possui cerca de 15% de participação, enquanto a Medley detém quase 10%.
“O mercado farmacêutico é extremamente pulverizado, então não tem concentração de nenhuma forma. Existe uma questão concorrencial que acontece no dia a dia entre as empresas, que é a realidade do mercado farmacêutico, o grande ganhador disso é o consumidor”, explicou Sanchez.
O vice-presidente da EMS também mencionou planos de expansão do portfólio, com foco em áreas como sistema nervoso central e cardiologia. “Hoje na EMS a gente atende quase 95% dos medicamentos através dos genéricos, não será diferente também na Medley”, concluiu.
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