Oriente Médio: IA é usada objetivamente na guerra, diz especialista

A guerra no Oriente Médio está sendo marcada pela utilização sem precedentes de inteligência artificial em operações militares, conforme destacou Beny Fard, especialista em investimentos internacionais e iraniano que mora no Brasil, durante entrevista à CNN.

Segundo Fard, este conflito representa um marco histórico no uso de tecnologias avançadas em cenários de guerra. “Essa é possivelmente a primeira guerra que nós estamos experienciando que tem usado de forma objetiva e expansiva a inteligência artificial, o uso de inteligência de dados em tempo real para a tomada de decisão muito mais rápida do que se tomava alguns anos atrás”, explicou.

Enfraquecimento do regime iraniano

O especialista avalia que os ataques recentes de Israel e dos Estados Unidos conseguiram enfraquecer significativamente o regime iraniano, que já demonstrava fragilidades em sua estrutura militar. Fard traçou um paralelo com o colapso da União Soviética, quando se revelou o atraso da estrutura bélica soviética após a queda da cortina de ferro.

“O Irã já vinha dando demonstrações de que a retórica era muito mais forte do que a realidade dos fatos da sua estrutura”, afirmou. Ele destacou que a tensão atual começou a escalar em 2020, com a morte do general iraniano Qassem Soleimani em um ataque americano no Iraque.

De acordo com Fard, a chamada “Guerra dos Doze Dias”, ocorrida no ano passado, expôs a incapacidade do regime iraniano de proteger seu próprio espaço aéreo. “Em pouquíssimo tempo, somente caças israelenses sobrevoavam o espaço aéreo e coordenavam ações no espaço aéreo iraniano”, observou, ressaltando a complexidade geográfica do Irã, um país de grande extensão territorial e relevo montanhoso.

Intervenções históricas e cenário atual

O especialista também contextualizou historicamente as intervenções externas no Irã ao longo do século XX, mencionando ações dos Estados Unidos, Reino Unido e União Soviética que influenciaram a política interna iraniana. “Historicamente, há intervenções externas no sentido de apoiar ou de destituir“, apontou.

Diante do enfraquecimento atual, Fard acredita que o regime dos aiatolás precisará negociar caso queira manter minimamente sua estrutura de poder. Ele observa ainda que a capacidade de contra-ataque do Irã tem se reduzido progressivamente, enquanto Israel demonstra crescente assertividade em suas operações militares, utilizando tecnologias avançadas como inteligência artificial, dados satelitais e drones.

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