DHL reforça estratégia em logística global e Supply Chain diante das mudanças no comércio internacional

A DHL reuniu ontem, 04 de março, em São Paulo, SP, os responsáveis pelas três divisões da companhia na região para discutir estratégias e perspectivas para o mercado brasileiro. O encontro contou com a participação de Andrew Williams, CEO da DHL Express Américas, Agustín Croche, CEO da DHL Supply Chain América Latina, e Erik Meade, CEO da DHL Global Forwarding Latam, com moderação de Fabrízio Sardelli Panzini, Amcham Director of Government Affairs. Durante o debate, os executivos abordaram o papel do Brasil na logística global, os investimentos no país e os desafios trazidos pelas transformações nas cadeias internacionais de suprimentos.

De acordo com Williams, o Brasil é considerado um mercado estratégico de longo prazo para a companhia. O executivo destacou que o país reúne características relevantes para a operação logística internacional, como diversidade de modais e um mercado doméstico robusto. Além disso, apontou setores com forte potencial de crescimento. “O Brasil não apenas participa do comércio global; ele ajuda a moldá-lo. O que torna o país especialmente estratégico é a força e a ambição do setor de MPMEs, que impulsiona nova demanda por internacionalização, expertise aduaneira e logística com previsibilidade”, afirmou.

Da esquerda para a direita: Andrew Williams, CEO da DHL Express Américas; Erik Meade, CEO da DHL Global Forwarding Latam; Agustín Croche, CEO da DHL Supply Chain América Latina; e Fabrízio Sardelli Panzini, Amcham Director of Government Affairs

Segundo o executivo, o país também apresenta oportunidades em áreas como saúde, data centers e biocombustíveis. Nesse contexto, a DHL Express observa aumento da demanda de micro, pequenas e médias empresas brasileiras interessadas em acessar mercados internacionais. A empresa também mantém estrutura própria de armazenagem alfandegada no aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), com operação 24 horas e capacidade de manusear até 3 mil peças por hora.

A estratégia de expansão inclui ainda investimentos na conectividade aérea doméstica e na rede física da companhia. A DHL Express prevê aplicar R$ 118 milhões nos próximos anos, ampliando gateways logísticos e abrindo cerca de 75 novas lojas até 2030.

DHL Brasil amplia investimentos em Supply Chain e infraestrutura logística

No campo da Supply Chain, Croche destacou que o Brasil ocupa posição central no plano de crescimento regional da empresa. A DHL Supply Chain anunciou um programa de €500 milhões em investimentos na América Latina entre 2023 e 2028, sendo cerca de um terço destinado ao Brasil.

“O Brasil combina escala, demanda e conectividade regional como poucos mercados. A DHL Supply Chain está ampliando sua infraestrutura, automação e capacidades específicas por setor para ajudar clientes a vencer em um mundo mais complexo”, disse Croche.

Entre os setores prioritários estão saúde, e-commerce, tecnologia, automotivo e bens de consumo. No caso da saúde, a empresa investe em logística com controle de temperatura, câmaras frias e capacitação de profissionais, especialmente para operações relacionadas a vacinas e medicamentos.

Croche também destacou o crescimento acelerado do comércio eletrônico no país. Para atender esse mercado, está a expansão das operações em Extrema (MG), onde a companhia dispõe de aproximadamente 140 mil m² de área de armazenagem.

O executivo ressaltou ainda que a empresa opera cerca de 9 milhões de metros quadrados de estrutura logística no país, distribuídos por diferentes regiões. Além disso, foram destinados R$ 100 milhões para renovação de frota, além de investimentos em automação e robótica colaborativa.

No debate, Croche também comentou a relevância da logística de saúde. Segundo ele, durante campanhas de vacinação, as três divisões da DHL atuam de forma integrada para garantir distribuição com controle de temperatura e conformidade regulatória.

Já Meade destacou que o Brasil é peça-chave na estratégia global da DHL Global Forwarding, especialmente diante das mudanças nas rotas comerciais internacionais. De acordo com o executivo, o país tem potencial para atuar como hub regional de redistribuição, conectando cargas da Ásia e da Europa a outros mercados da América Latina.

Nesse modelo logístico, os aeroportos de Guarulhos e Viracopos exercem funções complementares. Enquanto Guarulhos concentra voos de passageiros com carga associada, Viracopos recebe maior volume de cargas e operações de maior dimensão. Essa combinação permite maior eficiência logística e integração multimodal.

A companhia também opera mais de 600 voos internacionais por mês a partir do Brasil, conectando o país a diferentes mercados globais. Segundo Meade, a empresa investe em digitalização e visibilidade operacional para reduzir tempos de envio e aumentar a eficiência das operações logísticas.

O executivo também destacou a expansão de setores como data centers, energia, manufatura avançada e automotivo, além do crescimento do comércio eletrônico global até 2030. Segundo ele, esses segmentos demandam soluções logísticas cada vez mais especializadas e integradas.

Durante o encontro, os executivos enfatizaram ainda a importância da atuação conjunta das três divisões da companhia. “A união das três unidades nunca foi tão importante, permite complementar uma à outra, num mundo tão conectado”, afirmou Williams.

Meade acrescentou que as divisões mantêm operações independentes, mas se fortalecem quando atuam de forma integrada no atendimento aos clientes globais. Já Croche destacou que a combinação das três áreas permite oferecer soluções logísticas completas ao mercado.

Outro tema abordado foi o impacto das tensões geopolíticas no Oriente Médio, incluindo o cenário envolvendo o Irã, que tem afetado rotas logísticas e movimentações de carga em algumas regiões. Segundo Meade, a DHL tem apoiado clientes cujas operações foram impactadas por restrições e instabilidade em portos e rotas da região, oferecendo alternativas logísticas e diferentes modais para manter o fluxo das cadeias de suprimentos. Williams acrescentou que a companhia conta com uma ampla rede global, com presença em mais de 300 aeroportos ao redor do mundo, o que permite reorganizar operações e utilizar estruturas próximas às áreas afetadas para garantir a continuidade das entregas.

Também fora incluídos nas discussões temas como a volatilidade do comércio internacional e a reorganização das cadeias globais de suprimentos. Segundo os executivos, diante desse cenário, empresas buscam diversificar fornecedores, modais e rotas, o que amplia a importância de operadores logísticos com presença global e capacidade multimodal.

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